Sobre pessoas
Sempre senti uma enorme dificuldade em compreender as relações interpessoais, criar laços com as pessoas, me conectar com os outros, em perceber como lidar quando toco outras vidas humanas. Por metade de minha breve vida nunca fui capaz de fazer um amigo sequer, um amigo verdadeiro. Sempre fui randomicamente conversando com o máximo de pessoas diferentes que fosse possível, o que só me gerou uma pilha de conhecidos... não que eles sejam ruins, muito pelo contrário, gosto deles, eles me distraem.
Sinto que nunca pertenci realmente ao lugar onde vivo, sinto-me um reles espectador de minha própria existência, que nada é capaz de realizar, apenas vive a vida que outros escreveram para ele, um personagem sendo manipulado por uma horda de autores. Em meu âmago gostaria de poder tomar as rédeas da situação, cortar as cordas em que me fazem dançar, deixar de ser uma marionete, um estorvo, uma obrigação, uma imposição do destino na vida de outrem. Muitas noites já passei a maquinar uma forma de fazer esse sentimento parar, autodestruição foi uma delas, a última delas; fazer a dor parar, fazer o turbilhão de emoções parar, cessar o sofrer, era uma ideia extremamente doce, que acalentei. Fiz minha tentativa, não deu certo. Pensei outras vezes em tentar de novo, não tive coragem, uma voz dentro de mim, sempre ecoa baixinho um canto solitário, um canto que me diz que eu devo continuar, tentar, perseguir a felicidade. Ainda não morri pois possuo a louca sensação que se continuar por tempo o suficiente conseguirei, nem que seja por um breve período, ser feliz.












