quando a tecnologia ultrapassa as fraquezas humanas - uma sugestão de como lidar com os efeitos das redes sociais em sua vida - The Social Dilemma - pt. 4
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frisando que esse texto não possui o intuito de criticar a existência das redes sociais por si só, mas sim o uso que fazemos delas, bem como trazer uma luz para esclarecer a forma de funcionar delas, e os seus impactos na nossa saúde mental. você pode estar nela e ainda assim sair menos afetado disso. porém, tudo depende da sua capacidade de ter senso crítico e da forma que você lidar com ela.
-> formas de lidar com isso
as pessoas não saem mais para conhecer as outras tendo paciência. tudo é vivido instantaneamente, e logo depois você nem conhece mais a pessoa com quem viveu mil maravilhas e compartilhou a intimidade, isso porque não foi respeitado o tempo de construir uma relação. a intimidade máxima foi compartilhada quando a básica nem existia. as relações também se tornaram produtos a serem consumidos com velocidade. hoje, um jovem não tem um primeiro contato sexual com alguém que ele conhece, convive e confia. a sua primeira relação sexual, a segunda, terceira, e por aí vai, são pautadas exclusivamente em viver o máximo do prazer com rapidez. a dor (os problemas e dificuldades) não são mais escolhas. as pessoas não se conhecem e não conhecem umas às outras. isso porque tudo que elas mostram vêm de uma seletividade de momentos e características que parecem atraentes. ninguém quer mostras as suas imperfeições e defeitos, tristezas e fragilidades verdadeiras, e cada vez mais vamos criando os tais laços, porém, sem nenhuma profundidade.
e disso, surge a indagação: tá, mas o que eu, USUÁRIO da rede social, posso fazer diante dessa situação?
o primeiro passo é entender que todos nós - incluindo os próprios criadores dessas redes sociais - são manipulados psicologicamente no sentido de que gostamos MUITO das redes sociais porque elas são a droga mais acessível do que as próprias drogas propriamente ditas, que viciam muito mais rápido e dão com muita facilidade o que as pessoas viciadas em outros tipos de droga também buscam: DOPAMINA.
nosso cérebro busca por dopamina naturalmente, esse é um hormônio importante para a vida humana. o problema está em nos basearmos em dopamina para sermos felizes. uma vez que esse hormônio tem como função principal nos dar sensações rápidas e deliciosas de prazer - como fumar um cigarro -, a gente não vai se contentar com só uma dose. a nossa mente é manipulada exatamente aqui: quando cedemos às redes sociais nessa busca incessante por prazer. o prazer que buscamos hoje não está na droga, no sexo acessível demais (pornografia), mas sim no nosso próprio celular, e parece muito moral e conveniente porque se tornou comum a todos nós. porém, tem nos aprisionado mais do que as outras drogas que são socialmente criticadas.
o segundo passo é notar o quanto você, pessoalmente, tem se rendido a esta tentação. e o quanto você tem se rendido diz muito sobre: a sua personalidade, as suas necessidades atuais, e também o quão manipulável e frágil psicologicamente você está.
o terceiro e último passo que proponho é o de refletir em torno do quanto a sua identidade e o valor dela têm sido pautados em números e nas drogas que a rede social nos oferece diariamente. você consegue ficar sem celular por muito tempo? tem sido viciado nisso? cada passo seu é vivido mais na rede social do que na vida? quanto tempo da sua vida você tem perdido ali? os números e atrativos da rede social (likes, views e afins) afetam em quanto o quanto você se acha bom/boa?
novamente, repetindo o que eu falei em outra parte do texto:
então, a proposta que eu tenho para as pessoas não é somente a de tentar mudar o seu uso com a rede social, o tempo que elas passam lá dentro, literalmente dentro. a minha sugestão é a de que essas pessoas busquem se conhecer. uma vez que você se conhecer, você não sentirá mais aquela intensa necessidade de buscar aprovação dos outros com relação à sua identidade, desde o seu cabelo, até seu comportamento, suas conquistas e as pessoas com quem você se relaciona. você se sentirá mais satisfeito consigo, e não viverá numa busca insaciável por prazer, sentido e aprovação externas. porque quanto menos você trabalha com a sua mente, mais defasada e atropelada ela será por uma tecnologia que só avança e tende a avançar cada vez mais.
será que a mente humana, naturalmente frágil e que não é estimulada a ser evoluída e atingir seus potenciais (como conhecer a si mesmo) vai acompanhar e conseguir ser capaz de processar tudo que as redes sociais ainda trarão de novidade para as pessoas?
a contribuição que desejo deixar com essa série de textos é: você tem trabalhado para que a sua mente tenha controle sobre você mesmo, seus desejos, satisfações, impulsos e etc, ou vai esperar que a rede social faça isso por você? o quanto que você se conhece hoje?















