Na edição da Super Interessante do mês anterior fomos citados Antônio Donato Nobre, Déborah Danowski, Eduardo Viveiros de Castro e eu, numa boa matéria, da jornalista Camila Almeida, intitulada "O Brasil Secou". Não sei como foi com os demais, mas em meu caso, a frase curta a mim atribuída foi, na verdade, extraída de um diálogo bem mais longo.
Como tento fazer na maioria dos casos, ainda que isso me renda um bocado de trabalho, preferi responder por escrito. Os jornalistas, mesmo os mais competentes, de mais boa fé e compromisso com a boa informação, vivem sob forte pressão produtivista e, claro, não se pode exigir deles pleno domínio da temática do clima. A resposta escrita reduz as dificuldades impostas por essas barreiras e, via de regra, garante um repasse mais fidedigno de informação. Fica, portanto, o convite para acessar o link acima e ver o que a Super mostrou, bem como a ler a entrevista completa abaixo e ver o que ela não mostrou.
Superinteressante: Este ano, praticamente não choveu no Sudeste. O mapa do índice de precipitação padronizado mostra que, nos últimos 12 meses, o estado de São Paulo inteiro, assim como a maior parte da região entrou em uma situação que pode ser classificada como de “seca extrema” a “seca excepcional". Também há áreas com seca de moderada a extrema em boa parte do Nordeste e em alguns estados do Norte e do Centro-Oeste. Gostaríamos de entender melhor que mecanismos estariam por trás dessa situação.
Alexandre Costa: Provavelmente, há mais de um mecanismo responsável por esse quadro. No caso do Nordeste (e, em parte, do Norte), muitas das secas foram historicamente associadas a um quadro de El Niño (como o que está se desenvolvendo neste momento), mas nos últimos anos o déficit de precipitação parece estar mais associado a condições anomalamente quentes no Atlântico tropical Norte, que têm persistido nos últimos anos.
Já no que diz respeito ao Sudeste, o aparecimento recorrente de padrões de bloqueio tendeu a manter as frentes frias localizadas mais ao sul e, como sabemos, esta região depende fortemente da chegada dessas frentes para receber precipitação. Some-se a isso o fato de que nos últimos anos ondas de calor recorde têm assolado a região, o que implica em uma maior taxa de evaporação.
Superinteressante: Já podemos considerar esses efeitos que estamos vivendo como sintomas do aquecimento global? Podemos identificar algumas causas para essa seca tão extrema?
Alexandre Costa: Em vários aspectos, o agravamento das secas é esperado, com o aquecimento do sistema planetário (assim, como de todos os demais extremos, incluindo enchentes, tempestades etc.). O mecanismo é relativamente simples e tem a ver com a chamada equação de Clausius-Clapeyron que mostra um crescimento exponencial da quantidade de vapor necessária para “saturar a atmosfera” (ou seja, para iniciar a condensação e a formação de nuvens) em função da temperatura.
Ora, se uma atmosfera mais quente funciona como um maior “reservatório” de vapor d’água, o que temos é que é necessário mais vapor para preenchê-lo, o que demanda mais tempo e tende a prolongar, portanto, os períodos de estiagem. Por outro lado, quando finalmente se chega à saturação, as nuvens se formam a partir de uma quantidade maior de vapor d’água e a tendência é que os eventos de precipitações também se tornem mais intensos. Em resumo, secas mais longas e mais severas, menos eventos de chuva com chuva mais intensa. Um planeta mais quente é um planeta de extremos.
Superinteressante: Temos previsão de melhora para o ano que vem? E mais futuramente? A previsão é de que iremos viver secas cada vez mais intensas? E enchentes cada vez piores também?
Alexandre Costa: Com o desenvolvimento do fenômeno El Niño, especialmente se este crescer em intensidade no início de 2015, há chances de assistirmos ao agravamento do quadro principalmente no Nordeste. As condições meteorológicas mais comuns sob a ação de um El Niño favorecem chuvas no Sul, mas não necessariamente favorecem o Sudeste, em que as condições tendem a ser mais incertas.
Não se pode falar de previsão climática com um mínimo de confiabilidade para além da escala de meses, pelo menos por enquanto (embora alguns grupos de pesquisa venham investindo no que se convencionou chamar de “previsão climática decadal”). O que se tem a mais longo prazo são projeções climáticas que nos fornecem cenários de como a atmosfera deve se comportar, em média, em função do aquecimento global.
De acordo com a média do conjunto dos modelos do CMIP (Coupled Model Intercomparison Project), que subsidia a elaboração dos relatórios do IPCC, a tendência é, em geral, para uma ligeira redução da precipitação média sobre a maior parte da América do Sul, com exceção principalmente da Bacia do Prata. O que em me parece mais preocupante, porém, é a combinação da expectativa de aumento de temperatura (4 a 5 graus, vide figuras) com aumento da ocorrência de fenômenos extremos, como é o caso do número de dias consecutivos sem chuva em quase todo o território brasileiro, especialmente no cenário de maiores emissões.
Superinteressante: O que é preciso fazer para reverter esse quadro tão severo? Tem como ou já chegamos num limiar irreversível?
Alexandre Costa: Há muitos anos, insistimos que é preciso investir em duas frentes, mas a maioria dos governos ignora solenemente a comunidade científica.
A primeira delas é a frente da “adaptação”, isto é, de ajustes para melhor enfrentarmos os efeitos que porventura já sejam inevitáveis, como é o caso do que já assistimos hoje. Especificamente no que diz respeito à política de recursos hídricos, seria necessário uma ampla reformulação desta, para evitar o colapso do abastecimento. Além de melhorar o sistema de armazenamento e distribuição, é preciso mexer na demanda. De norte a sul do País, o que se vê é que o agronegócio e indústrias pesadas (siderúrgicas, refinarias), a geração de energia (termelétricas consomem bastante água), a mineração etc. são consumidores vorazes de água. Uma única usina termelétrica a carvão pode consumir até 1000 litros de água por segundo, suficiente para abastecer uma cidade quase do tamanho de São José dos Campos. Um quilo de carne bovina demanda 15 mil litros de água em sua produção e uma tonelada de aço requer 280 mil litros. É preciso abrir a caixa-preta da água em todos os estados para que as pessoas decidam sobre o uso dela e sobre que modelo de desenvolvimento, que opções de industrialização etc.
Segundo, e mais importante, é preciso apostar seriamente, de uma vez por todas, na outra frente: a da “mitigação”, isto é, na redução – urgente – das emissões de gases de efeito estufa. Até porque, a partir de um determinado momento não há como se adaptar. A partir de um determinado ponto, a crise climática pode se tornar irreversível.
Existem evidências cientificas de que o limiar seguro de concentrações de CO2 na atmosfera seria de 350 ppm, o que foi ultrapassado em 1988. Hoje, flertamos com 400 ppm (ficamos acima desse valor por 3 meses em 2014). A maioria da comunidade cientifica entende que o limiar de 2 graus Celsius de aquecimento é aquele que não deve em hipótese alguma ser ultrapassado (450 ppm de CO2 na atmosfera implicam num aquecimento que ultrapassa dois graus), sob pena de arruinarmos um sem número de biomas terrestres e acelerar o aquecimento com a liberação dos estoques naturais de metano (clatratos do piso oceânico e derretimento do permafrost), derretimento das geleiras e saturação da capacidade dos oceanos e florestas em sequestrar carbono.
Isso só pode ser feito mediante um corte acelerado nas emissões, com uma transição energética rápida e uma mudança no paradigma de transportes que promova em poucas décadas o abandono dos combustíveis fósseis. Se os governos, a se reunirem em Lima em dezembro próximo, preferirem continuar ouvindo as corporações do ramo petroquímico a reconhecerem os limites que a ciência apresenta para a segurança da humanidade, aí já são outros quinhentos... ppm de CO2.
A pesquisadora e filósofa Deborah Danowski, professora do Departamento de Filosofia da PUC-RJ e que publicou, recentemente, ao lado de seu companheiro Eduardo Viveiros de Castro, o livro "Há mundo por vir? Ensaio sobre os medos e os fins". Uma das organizadoras do simpósio "Os Mil Nomes de Gaia", Deborah tem sido uma crítica profunda do modo de vida engendrado pelo capitalismo contemporâneo e confrontado sem meio-termo o negacionismo climático. Vejam o que ela diz sobre crise ecológica, mudanças climáticas e "fim do mundo"!
Superinteressante: Tudo indica que o aquecimento global é causado pela ação do homem, exclusivamente. Até que ponto teremos que ir para que tenhamos consciência de que estamos criando um mundo pior para nós mesmos? O que precisa acontecer para que possamos parar de destruir?
Deborah Danowski: Sim, o atual aquecimento global é causado quase exclusivamente pela ação humana, sobretudo pela emissão de gases de efeito estufa devido à queima de combustíveis fósseis. É difícil saber até que ponto esse aquecimento e suas consequências terão que chegar para que se ganhe consciência de que há limites que devem ser respeitados se quisermos ter alguma chance de continuar vivendo em um mundo com condições razoavelmente favoráveis à nossa espécie. Mas nem todo o problema se deve à falta de consciência. Muitos têm consciência mas não fazem nada a respeito, ou seja, não passam do conhecimento à ação. Muitos acreditam que ainda poderão lucrar um pouco (ou muito) mais antes de ter que restringir suas práticas predatórias. Outros sabem que há algo acontecendo mas fingem para si mesmos que não é nada demais, que alguém vai resolver as coisas, que alguém vai tomar conta, que a razão humana vai conseguir inventar uma tecnologia para nos salvar antes que seja tarde: quem sabe conseguiremos viver em um mundo onde a natureza seja totalmente controlada, gerenciada pelo homem? – pensam eles. Por outro lado, conforme os efeitos nocivos da degradação ambiental e das mudanças climáticas vão se tornando mais evidentes, mais graves e frequentes, vamos vendo o crescimento e a multiplicação de movimentos sociais de resistência (como os protestos ecológicos que vêm aumentando muito na China, ou as resistências ao oleoduto Keystone XL, ou a recente Marcha Popular pelo Clima que aconteceu em setembro passado em Nova York, e que reuniu mais de 400 mil pessoas - para dar apenas alguns exemplos recentes), o crescimento também de práticas alternativas de diversos tipos e dimensões, de políticas locais que tentam passar à ação independentemente de decisões governamentais ou globais. Ainda é muito pouco, pouquíssimo, porque estamos lutando não só contra a destruição cada vez maior, mas também contra o tempo: quanto mais demorarmos a diminuir as emissões e a pôr em prática outras maneiras de viver e de construir relações, mais drásticas terão que ser as mudanças.
Superinteressante: O novo livro de vocês questiona o futuro do mundo. O fim será causado por nós?
Deborah Danowski: O livro "Há mundo por vir? Ensaio sobre os medos e os fins", que escrevi juntamente com Eduardo Viveiros de Castro, é um sobrevôo filosófico-antropológico do estado de espírito do nosso tempo, uma tentativa de entender os diferentes movimentos de pensamento e de imaginação que têm se constituído, explícita ou implicitamente, em torno do que significa ter um mundo e perder um mundo. Um pouco como aconteceu após as bombas atômicas lançadas sobre Hiroshima e Nagasaki, estamos nos redescobrindo uma espécie mortífera e mortal. Na situação da Guerra Fria, apesar do grande medo que todos sentiam muito fortemente (sobretudo nos EUA e na URSS), ainda podíamos esperar (e até hoje esperamos, aliás) que nunca nenhum país “apertaria o botão” dessa guerra final. Como disse uma vez o filósofo Günther Anders, desde então vivemos em um adiamento, em um “tempo do fim”, que pode durar em princípio eternamente, mas que será sempre um adiamento do fim, já que para sempre teremos ou seremos capazes de fabricar bombas atômicas em número suficiente para destruir o planeta várias vezes. Mas no caso das mudanças climáticas, é como se já houvéssemos apertado o botão. Quero dizer que muito da crise climática já não pode mais ser revertido. Mesmo se cortássemos agora em 100% as emissões de CO2 (o que politicamente é pouquíssimo provável, diga-se de passagem), o assim chamado "Sistema Terra" ainda iria se aquecer aproximadamente 1ºC, o Ártico e parte da Antártica iriam continuar seu processo de derretimento, os mares se acidificando etc. Isso porque já jogamos no ar uma quantidade enorme de CO2 que ainda nem foi absorvida totalmente pelo sistema. Mas 1ºC a mais (2º C em relação à época pré-industrial) não é a mesma coisa que 3º ou 4ºC a mais. Nesse caso a vida será realmente muito difícil para nós humanos e para uma enorme quantidade de outras espécies vivas. Então quando falamos de “fim do mundo” podemos querer dizer muitas coisas diferentes, mas, mais realisticamente, não estamos nos referindo a um fim absoluto do mundo, e sim a uma degradação progressiva de nossas condições de existência, que pode se dar em diversos graus. Isso é a perda do mundo. O que pode acabar muito mais rapidamente do que muitos pensam é nosso modo de vida, nossa “civilização” tecno-industrial e capitalista, baseada no consumo. E, entendido desse modo, sim, o fim será causado por nós, ou melhor, pelo retorno, pelo troco da natureza sobre nossas ações predatórias.
Superinteressante: É possível imaginar uma mudança profunda no nosso estilo de vida? Uma mudança que nos conecte mais profundamente com a natureza e com o meio em que vivemos? Chegaremos ao ponto de preservar nosso ambiente – além de só explorá-lo – ou imaginar essa nova postura é utopia demais?
Deborah Danowski: Creio que essa mudança é muito difícil, mas não impossível. Basta pensar que esse nosso modo de vida insustentável tem uma história de apenas 250 anos, se contarmos desde a Revolução Industrial. A civilização humana (cidades, escrita, agricultura) tem pouco mais de 10 mil anos, enquanto a nossa espécie, o Homo sapiens, tem aproximadamente 200 mil anos. Ou seja, o nosso modo de vida atual é um detalhe temporalmente mínimo se comparado à nossa existência enquanto espécie. Além disso, há 370 milhões de pessoas hoje no mundo, segundo estimativas da própria ONU, formando “minorias étnicas", que vivem e lutam para continuar vivendo de maneiras distintas. De qualquer maneira, o que hoje pode parecer quase impossível para alguns terá que se tornar possível em algumas décadas, porque o que é materialmente impossível é continuarmos a viver como vivemos no último século. Quando recursos como água potável começarem realmente a faltar, quando a seca que está acontecendo por exemplo na cidade de São Paulo se tornar um evento frequente e recorrente, quando a Amazônia virar uma enorme savana ou começar a se incendiar várias vezes por ano como tem acontecido na Califórnia ou na Austrália, quando enchentes monumentais forem a norma, quando doenças tropicais começarem a assolar cidades importantes nos dois Hemisférios, quando enormes contingentes de desalojados do clima começarem, em ondas cada vez maiores, a pedir abrigo nos países mais desenvolvidos - então já estaremos vivendo de maneira diversa. Então, nós podemos viver outras vidas muito diferentes da nossa. Podemos viver sem celular, sem carros particulares, sem consumir produtos supérfluos, produtos importados do outro lado do mundo; podemos viver sem desmatar, conectando-nos em redes alternativas baseadas antes na construção de relações, na troca e na solidariedade. Podemos até viver sem luz se necessário. Mas não podemos viver sem água potável, sem terra razoavelmente fértil para plantar nossos próprios alimentos. É claro que nem tudo depende apenas da tomada de consciência e de ações individuais. Hoje no Brasil, por exemplo, vivemos sob um governo que não enxerga um palmo à frente de seu nariz. Que faz vista grossa para o desmatamento da Amazônia e para a degradação do Cerrado, que quer barrar a maior parte dos grandes rios barráveis para produzir energia que irá alimentar grandes indústrias de alumínio, grandes plantações de soja e fazendas de gado voltados sobretudo para a exportação, um governo que não pára de incentivar o uso do carro privado, que chama os ecologistas de ecochatos e considera seus questionamentos como fantasias impossíveis. Não estou negando a enorme importância das políticas sociais dos governos Lula e Dilma, mas o que dirão aqueles 20 ou 30 milhões de pessoas que, já dentro da “classe média”, entretanto não tiverem água limpa para beber? Ou quando, ao contrário, tiverem que viver fugindo de enchentes e de desmoronamentos? Quando o ar se tornar irrespirável? Quando não houver mais peixes no mar? Poderemos viver todos de alimentos transgênicos regados a quantidades absurdas de agrotóxicos? Qual o preço disso para a saúde e o bem-estar das pessoas?
Superinteressante: Como seria possível conciliar crescimento econômico com a preservação ambiental? É preciso pisar no freio do crescimento ou há alternativas?
Deborah Danowski: É possível distribuir melhor o “bem-viver”, mas não é possível continuar a crescer economicamente sem acabar de destruir o meio-ambiente. Sobretudo se levarmos em conta que a população mundial alcançará por volta de 10 bilhões de pessoas até o fim deste século. Falávamos há pouco de utopias e fantasias; pois bem, creio que um crescimento econômico ilimitado é que é a verdadeira fantasia, uma ideia completamente absurda, até paradoxal. Para entender isso basta pensar que os recursos naturais que sustentariam esse crescimento, os recursos materiais que são afinal a fonte última de qualquer tecnologia, por mais eficiente que seja, são limitados, e que, além disso, também é limitada a capacidade que tem o planeta de processar os resíduos da atividade industrial. O dióxido de carbono é apenas um desses resíduos. Essa ideia das limitações termodinâmicas, ou biofísicas, para o crescimento econômico foi proposta pela primeira vez, se não me engano, em 1971, pelo economista romeno Nicholas Georgescu-Roegen, em A Lei da Entropia e o Processo Econômico. Ela foi desprezada ou permaneceu simplesmente ignorada até bem recentemente, quando foi “redescoberta” e resgatada. Hoje já há vários economistas, inclusive no Brasil, que começam a pronunciar essa palavra que até há bem pouco tempo era para eles uma espécie de impronunciável, o decrescimento, a redução.]
Superinteressante: Precisamos mesmo esperar pelo pior? É o pior que está no nosso horizonte?
Deborah Danowski: O que é o pior? Muitas pessoas já vivem o pior, nos bairros mais pobres do Brasil e do mundo, nas prisões superlotadas, nas sweatshops da China, da Indonesia ou de Bangladesh, no Haiti, na Siria, no Iraque, em vários países da Africa. Os índios Guarani obrigados a morar na beira da estrada no sul do país já vivem o pior. O que “nós”, aqui hoje, estamos chamando de pior é termos que viver num mundo cada vez mais parecido com esses mundos. E entretanto, há piores mais ou menos piores que outros, há muitos mundos dentro do “mundo”, e de toda forma há muito o que fazer. O que nos cabe hoje é tentar mitigar as causas que estão levando ao aprofundamento das mudanças climáticas, e ao mesmo tempo fazer o possível para nos adaptar à vida em um mundo mais pobre e difícil ecologicamente, sobretudo aprender a viver com essa nova situação, imaginar novas maneiras de viver, de nos relacionar com outros humanos e com os não-humanos, inventar novos mundos com o mundo que teremos. Talvez (com sorte) aprendendo com os povos que já passaram por situações semelhantes e encontraram suas próprias saídas, que sabem que viver é perigoso, que tudo tem um custo, que é preciso pisar de leve e ter medo, mas sem necessariamente perder a alegria.