Tempestades, folhas e afins.
Era agosto, chovia quase todos os dias e ventava forte naquele mês, as tempestades eram comuns, carregavam cheiro de terra e folhas molhadas. Eu sentia medo e tinha pesadelos constantemente com os galhos das árvores que tamborilavam minha janela.
E quando você chegou eu percebi sua presença, mas não me importei, imaginei que não seria nada demais. Pensei que você seria só mais uma chuva de fim de tarde em meio há uma grande tempestade que eu tentava esquecer. Mas seus pingos tocaram meu rosto... Tão levemente que eu imaginei que sempre estiveram ali, desde que nasci, mas eu nunca percebi, sabe? E eu suspirei de alívio, de paz, de cansaço, de esperança.
Eu não imaginava que necessitava tanto do seu toque até tê-lo, dentro de um abraço a chuva forte que me assustava foi se silenciando gradativamente e meu corpo todo se encheu de paz. Eu esqueci a tempestade turbulenta que vagava meus sonhos e causava pesadelos, não me lembro mais o som das gotas desta tempestade, nem o dia que ela ocorreu, nem como ela me deixava insegura, indecisa, confusa, esqueci-me dos pesadelos também.
Você fez ela se apagar da minha memória.
Você mudou meu Agosto, meu Setembro, meu Outubro e meu Novembro e desde então todos os dias são primaveras, com o céu limpo e azul como aquarela de Van Gogh, a grama é sempre verdinha com cheiro de terra molhada, as flores estão sempre úmida e molhadas e quando a tocamos uma gota viaja entre o braço, até o cotovelo e se perde no corpo.
Com você todos os dias são primaveras, vez ou outro uma tempestade vem mas eu não sinto medo pois tenho um abrigo em seu peito. Você é todas as estações em uma só, fazendo festa na minha alma.
Sim os poemas… São todos sobre você. Prefixos, Giulia Rodrigues.












