A: Eu sou as entranhas de todos os poetas tristes!
B: Não, Você é a glicose de poetas debutantes...
B: Aliás, você é como a eterna promessa que não vem
A: O que isso quer dizer?
B: Acidez noturna do horário comercial. Uma pena..
A: Mas me diz, você anda vendo alguém?
B: Depois de umas transas esporádicas com meu chefe... Hm acho que não
A: O Carlos?
B: O Carlos e o Jorge
A: Ao mesmo tempo?
B: Um em seguida do outro, no mesmo quarto de motel
A: E enquanto a nós? Amigos?
B: Complicado, em algum tempo do passado distante sim... Em um passado mais próximo amantes. Hoje? Nada mais que conhecidos que tiveram momentos íntimos.
A: Uau... Você deve me odiar, né?
B: É indiferente.
A: Como assim?
B: Exatamente indiferente, tanto faz como vez. Eu não me importo tanto
B: Tem fogo?
A: Tó.
B: Acho que o que eu mais gostava de você era o cheiro dos cigarros embaralhado no teu beijo, uma coisa meio carnaval em julho.
A: Eu sempre gostei de você porque era quente. Ardida. Arrisca. Me lembrava cachaça.
B: Taí, um baita de um elogio vindo de você.
A: Eu sempre te admirei. Adorava quando você prendia o cabelo pra trás, ficava com cara de séria e aquele brinco estilo de filtro dos sonhos ficava evidente. Claramente uma visão poética.
B: Às vezes você é muito piegas, bem aqueles poetinhas de internet que lançam iscas para pegar meninas de dezoito anos cheirando a leite ainda.
A: Sério, foi legítimo esse elogio! Sério que você ta me comparando com aqueles cara que rimam mortadela com amarela? Ofendido.
B: Ta, de fato, faz muito tempo que não leio algo teu.
A: E você, que gastou oito anos da tua vida estudando cinema, pra no fim das contas editar vídeos pra canalzinho de bloguerinha no youtube.
A: "Oiiiê, beninas.." Cômico não?
B: A vida não é tão linda como a gente sonha. A gente se vira como dá. Nem todo mundo tem a alma de pipa avoada, ou qualquer porra.
A: Eu nunca disse que era fácil e nunca me portei assim. Eu só escolho não sofrer, já que nada vai mudar, não importando o tamanho da merda que seja.
B: E você, o que ta fazendo?
A: Tenho trabalhado num escritório de advocacia. Tenho estudado para passar no concurso de escrivão.
B: Tua cara procurar algo pra se encostar.
A: Você é bem rude quando quer.
B: Eu sempre fui mais cólera do que você.
A: Eu sempre fui mais brisa mesmo, daquelas fluídas que vai pra onde se soprar.
B: Eu diria que eu sempre fui mais fincada na terra.
A: Medrosa, o certo rs
A: Ai ai, você sabia que eu poderia te fazer feliz, né?
B: Acho que não a gente não sabe de nada com dezoito. Não sei hoje em dia. Quem dirá antes. A única diferença é que hoje não preciso sustentar nenhuma imagem. Tô leve e perdida. Meio doida e meio desbocada. E adora essa versão minha.
A: Naquele Momento, nossas esquisitices se pareciam muito. Existia amor!
B: Nunca disse que não existiu.
A: Era doce...
B: Sim... Olha, tenho que ir. Ta tarde e amanhã eu trabalho.
A: A gente vai se ver de novo?
B: Ai, para de drama. A gente vai se falando.
A: Você promete?
B: Na verdade não, eu disse tô cheia de trabalho. Não tô prometendo nem que vou almoçar amanhã
A: Então tá, se cuida.
B: Tchau.