A vida sente aquilo que os olhos não alcançam.
Conviver com o diabetes tipo 1 é carregar uma batalha silenciosa que não faz barulho, mas molda cada dia. Tenho 38 anos e 37 anos de diagnóstico, e ainda assim me surpreendo com a força que essa jornada exige.
Quando dizem que o DM1 pede cuidado 24 horas por dia, não é exagero dramático. É só a realidade nua. A cada aplicação de insulina e são pelo menos quatro por dia existe um pequeno ato de coragem. Em um mês, isso vira 120 picadas. Em um ano, 1.460 vezes em que escolho enfrentar a agulha para garantir que meu corpo continue funcionando. São números que parecem frios, mas por trás deles há vida pulsando.
A pilha de frascos que muita gente vê como lixo, eu vejo como história. Cada seringa usada é um lembrete de que sobrevivi a mais um dia, que fiz o que precisava para continuar. Não é romantização; é reconhecimento. É disciplina, resiliência e uma teimosia bonita de quem decidiu não abrir mão de si.
Quem olha de fora não imagina o peso invisível que eu carrego desde sempre. Mas eu sei. Eu sinto. Eu vivo. E sigo firme porque cada aplicação é uma vitória, cada frasco é um capítulo, e cada ano é a prova de que, mesmo com o diabetes caminhando ao meu lado, eu continuo escolhendo viver.💙
Fabiana Dias ✍🏻
21/11/25 - @entreocafeeocaos



















