Antes, eu tinha tanta certeza sobre o caminho que seguiria e isso me levou a viver no piloto automático. Eu traçava planos sem espaço para riscos ou erros, acreditando que controlar tudo era a chave do sucesso. Em algum momento, tirei a mão do volante e virei passageira da minha própria vida. Foi aí que comecei a sentir uma espécie de sofrimento contido, uma dor estranha e anestesiada, que eu mal conseguia entender, mas estava sempre ali comigo.
Agora, sei cada vez menos sobre o futuro e essa incerteza me deixa inquieta. Mas, ao mesmo tempo, sinto o peso do volante, o pé no freio, na embreagem. Sinto o vento no rosto e o sol queimando a pele... Tudo parece mais intenso agora. Essa paz estranha me trouxe um estado diferente: uma calmaria inconformada. No fundo, sei que algo precisa mudar, mas não tem urgência. Não precisa ser exato nem milimetricamente planejado. O caminho se faz caminhando, e não sendo arrastado.
E pela primeira vez, aceitei que não tenho todas as respostas. É como se, no meio dessa inquietude, eu estivesse redescobrindo o que realmente importa. O que antes me parecia desespero, agora me parece espaço – espaço para respirar, errar, descobrir.

















