Ônibus Biblioteca no Campus da UFPE, Na Época Esse Ônibus Ficava Estacionado em Praças e Localidades Atendendo a População da Cidade do Recife - Início da Década de 1990.
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Ônibus Biblioteca no Campus da UFPE, Na Época Esse Ônibus Ficava Estacionado em Praças e Localidades Atendendo a População da Cidade do Recife - Início da Década de 1990.
É a cerimônia do íntimo, Diante da pura vaidade do ser, Está em consagração, como florescer, Você inicia esse ritual diante do espelho, Suas mãos passeiam por seus cabelos, Seus olhos percorrem a extensão do teu corpo, Você analisa a necessidade de se sentir feminina, Mas não como antes, esquecendo os julgadores, Procurando ser mulher para si. Mergulhando tua alma nas salgadas águas das tuas lágrimas, Esfregando no teu escalpo doses de aceitação, Massageando tua pele com amor, Cobrindo a alma de pétalas de felicidade, Solta os cabelos junto de fios de ouro, Oxum te ensina a como se amar, Ela ensina todos a amar, Pede a ela o amor da tua vida, E deixa ela te mostrar no reflexo do espelho.
Quero você
Cerca de vinte minutos de ligação e eu te chamei: "bebê?". Você não respondeu nada e então eu larguei o computador. Tô com a mente cheia e ando passando por muito problemas sem intervalo, essa noite eu consegui escrever mais do que nos últimos meses juntos, e eu fiquei animada com isso, pensando que assim eu poderia esquecer algumas coisas, mesmo que por instantes. Vinte e um minutos: "querido?". Você não respondeu e eu tive certeza que dormiu, eu gostei disso, aliás quem dorme primeiro geralmente sou eu, e eu não sei se sente a mesma coisa mas eu me senti alegre por alguns instantes, porque eu me esforço pra ficar acordada falando contigo por te amar, e pensei que você pode ter feito isso agora. Dia cheio e com sono, podia simplesmente desligar, sabia que ia dormir e precisava, mas estava tentando conversar comigo até onde aguentasse. Eu ia desligar, eu devia, mas quando peguei no telefone você respirou fundo e aquilo foi tão gostoso de ouvir, então aumentei o volume da ligação e fiquei ouvindo sua respiração, desejando muito estar ao seu lado e principalmente imaginando como estaria agora: Seu peito subindo com a respiração, o cabelo grande desgrenhado e caindo na testa, os lábios pouco entreabertos e os olhos talvez inquietos por algum sonho, talvez não, você estava bem cansado. O que eu sei, no final de tudo, é que fechei o notebook e vim deitar, pensando em quando poderei te ver de novo, e quando irei novamente deitar em seus braços e observar seu ressonar, que me trás uma paz que ninguém nunca soube me dar. Às vezes nem parece que também é você que me causa um turbilhão de emoções por estar perto.
— SB
'Ela entendia que a psique masculina é coisa frágil, não demorava muito para machucar um ego'
Ninguém ensina uma mulher a viver para o mundo
Em um momento de introspeccção, acabei me recordando de um ocorrido que aconteceu quando eu tinha quinze anos. Era o meu primeiro ano no ensino médio e meu primeiro dia em uma escola nova, eu e meu irmão estávamos animados pela possibilidade de iniciar um novo ciclo após dez anos de ensino fundamental em uma única instituição de ensino público; Ir para uma escola estadual era um novo universo que estávamos animados para desbravar, devido à isso, caminhávamos há alguns passos a frente de nossa tia, enquanto ela logo atrás nos dizia para sermos mais cautelosos. Em dado momento, passamos animadamente por um senhor que estava sentado em frente a um estabelecimento, e contentes com a conversa pouco nos importamos com a presença dele ali. Enfim, chegamos a parte que mais me aflige de toda esta lembrança, logo após passarmos em frente a esse senhor, minha tia me chamou estando furiosa e sem entender seu tom bravo e hostil eu retornei ao seu lado questionando o por que de ela estar tão braba, surpreendentemente o motivo de ela estar chateada era por que o suposto senhor de antes estava "me cuidando como quem olhasse uma mulher". Quando a questionei a quem se referia ela resmungou algo como "o velho sentado lá atrás", e começou a me reprimir por andar sorridente e mais a frente com meu irmão, pois eu deveria andar ao seu lado e sem me "aparecer" tanto. Naquele momento, minha alegria se esvaiu e eu pensei que ela deveria estar certa, sendo a mais velha e experiente e fato daquilo ter ocorrido era realmente culpa minha. Hoje, com mais idade e mais conhecimento sobre a realidade de uma jovem mulher na sociedade, eu entendo o que ela fez. Por mais que quisesse me proteger ela me culpou por algo que eu não era unicamente responsável (se é que eu realmente tinha uma parcela de culpa por ser uma jovem sorridente naquela manhã de segunda), e durante os dias seguintes a essa reflexão, me perguntei o "por que" de minha tia ter sido tão rude comigo, e então aclaramento se fez evidente quando compreendi que minha tia apenas repassava algo que provavelmente já havia acontecido com ela. Deveria estar acostumada a ser acusada por qualquer reação de um homem que não lhe agradasse, e de provavelmente era o que ela achava ser certo. Seguindo essa premissa, imaginem o quanto de mulheres que nasceram entre as décadas de 60' e 70' que pensam iguais à ela? (Seguindo o pensamento de que minha tia nasceu em 65'), eu adivinho o tanto de vezes que a mãe dela ou as próprias irmãs a culparam pela atitude desrepeitosa ou indecente de um homem, e o quanto ela não remoeu isso dentro dela se forçando a aceitar que se fosse mais fechada algo do tipo jamais ocorreria novamente. No fim, nada é culpa dela, e sim culpa da forma como nós educamos nossas filhas. Nossa sociedade não sabe criar suas mulheres. Primeiramente, o pensamento inicial é evitar ter filhas para não passar "tanto trabalho" cuidando, vestindo ou ensinando. Quando o indivíduo tem sua "princesa", ele a cria para não ser uma mulher, própriamente. Vamos pensar em quando seus pais tentaram te moldar ao repararem que não era mais uma "guriazinha"? Tentaram te reprimir e dizer como uma "moça" deveria falar, fazer ou agir? Brigaram contigo quando notaram que falava palavrão ou queria beber? Não criamos as mulheres para o mundo, mas as criamos para ficarem dentro de casa e quando elas ousam tomar algo que as negamos nós a odiamos. Por que ensinamos nossas mulheres a odiarem umas as outras desde crianças, para evitar que elas pensem em conjunto e entendam que não precisam se submeter as "regras da básica convivência da sociedade". Ponto de culminação: O fato de minha tia ter reprimido a mim e não ao velho abusivo na rua, foi por que ensinaram à ela que a mulher está sempre errada. E em hipótese alguma podemos repassar esse machismo disfarçado de proteção adiante. Está na hora de rever nossa educação as nossas jovens, para que elas possam se tornar mulheres fortes e independentes em um futuro próximo. Se a sociedade reprime a mulher desde o ventre, cabe a quem entende isso se negar a prosseguir com esse ciclo vicioso que reprime tudo que nós somos.
— Por que fins são tão trágicos? — Um fim nunca é bom, afinal, é um fim.
BlacSaro
LITERANDO dice...
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