Sobre mágoas, feedbacks e o que a gente escolhe carregar
Hoje eu queria falar sobre algo que todo mundo sente, mas nem sempre sabe nomear direito: mágoa. Essa dor que chega de mansinho, com uma frase, um tom de voz, um olhar maldosamente calculado. Aquela pontada que a gente sente quando, em vez de reconhecimento ou até de uma crítica construtiva, o que vem é uma tentativa clara de nos expor, de nos fazer parecer menores do que somos.
Vivemos em tempos onde tudo virou “feedback”. Só que nem todo comentário é uma devolutiva sincera ou bem-intencionada. Às vezes é só crueldade disfarçada de profissionalismo. Às vezes, o que chamam de "retorno" é, na verdade, um ataque feito em público, com o único objetivo de constranger, humilhar, ou descredibilizar.
E a parte mais amarga disso tudo é que, mesmo quando você prova que fez o que era certo, que estava fazendo o seu melhor, que não estava “à toa” como insinuaram… o pedido de desculpas não vem. A retratação nunca chega. E aí, sobra o quê? A dor. A decepção. E, claro, a mágoa.
Mas a vida me tem ensinado, às vezes com muita dor, que a gente não precisa esperar o pedido de desculpas do outro para seguir em frente. Que o perdão mais importante não é o que a gente recebe, é o que a gente se dá.
Eu já adoeci por causa de mágoas guardadas. Já senti no corpo, na mente, nas emoções. Tive crises. Calei dores. Carreguei pesos que não eram meus. Tentei ser tudo, resolver tudo, aguentar tudo. E quando percebi, não havia mais espaço para mim.
Hoje, tento aprender, e sublinho o “tento”, porque ainda tropeço, que não posso absorver tudo. Que não devo levar tudo para o lado pessoal. Que preciso filtrar. Separar o que é meu e o que é do outro. Levar comigo só o que me faz crescer, e deixar o resto onde está: no passado.
Nem sempre consigo. Tem dias em que a mágoa ainda me encontra. Mas tem dias em que eu consigo olhar pra ela, respirar fundo e dizer: “eu escolho não carregar você hoje”. E isso, pra mim, já é vitória.
-Minnie Lima












