Peso o peso dos meus ombros,
Tiro amostras dos assombros
Que eu dei por horas o que nunca recebi.
E se dei por tempo, ei-lo, eu nunca compreendi,
Porque eu dava à primeira,
Porque tinha eu a goteira
Do jeito de ser altruísta
E ver-me meio masoquista,
Feliz de ter vista daquilo que dei.
Eu já passei à frente tudo isto.
E talvez se olhares com cuidado,
E se tentares estar aqui ao lado,
Que há afazeres, listas de prazeres
Dei-te tudo lá quando não davas.
Beijava-te tanto, que tu nem ligavas.
E na vergonha, coravas, não davas,
Agora encaras com tristeza quando falta um beijo.
Portanto, se falta, calça, caça,
Existe tanto em ti e já tão pouco eu mim,
Portanto, se falta, traça, passa,
Por todos os caminhos que tracei,
E no teu corpo lá estarei,
Embrulhado em papel de prata,
Do sentimento que fiz crescer.
Existe guardado em ti o que eu dou,
Então é o balanço que não equilibrou
E tu recebeste todos os poemas,
E tu escondeste todos os abraços,
Todas as palavras, os presentes,
E agora talvez hajam espaços em ti,
Guardados de mim, que detenham assim,
As partes de mim que já foram para ti,
O que não consigo ser agora.