Talvez, ser intenso não seja uma coisa boa.
Eu estava escutando um podcast hoje pela manhã, quando a garota que falava sobre relacionamentos solta a seguinte frase “Eu adoraria ter uma pessoa o mais parecida comigo possível, mas eu não gostaria de ter esta conexão tão louca com ela”. Essa frase me fez pensar, não sei você, mas eu sempre me defini como uma garota super intensa, o que não deixe de ser um fato sobre mim, mas se tratando de relacionamentos, eu era realmente intensa demais, do tipo que se apaixona perdidamente, cria conexões, laços, e acha que encontrou a pessoa da vida em sei lá, uma semana? Sim, e de fato isso acontecia toda vez que eu me apaixonava, e eu gostava desta sensação, o frio na barriga, a adrenalina, a ansiedade de saber se estou fazendo as escolhas certas.
A nossa sociedade é construída e baseada em padrões, e me deixa impressionada, como Hollywood consegue impor padrões até para coisas que nós mal sabemos definir o significado quando nos questionam. O fato, é que desde pequenos, sonhamos com aquele amor de comédia romântica, a tal da “alma gêmea”, em nossos sonhos, cruzaremos olhares com alguém no corredor de faculdade, e o mundo vai ganhar cor, você vai saber naquele instante, que aquele é amor da sua vida, e vocês viverão numa montanha-russa, onde ele ou ela ira trazer flores, chocolate, fazer declarações publicas, e quando cometer um erro, vai vir pedir desculpas para você de baixo de chuva, furacão e qualquer outro tipo de catástrofe natural, e então vocês serão felizes para sempre. Fofo, né? Eu diria isso até alguns anos atrás.
Eu tenho 22 dois anos de idade e uma série de relacionamentos fracassados, mas de alguns anos para cá, percebi um padrão nos meus relacionamentos, nos relacionamentos em que eu me jogava de cabeça, sem cautela alguma, e vivia todas as emoções possíveis de uma vez, eram os relacionamentos que mais me machucavam, mas porque você me pergunta, porque eu me desestabilizava, porque como eu disse no começo era tudo muito intenso, não tinha equilíbrio, era literalmente uma montanha-russa emocional, uma hora estávamos felizes, rindo, e tudo era ótimo, na outra eu estava chorando, tendo crises de ansiedade horrorosas, e vivendo em função da outra pessoa. E o mais bizarro, é que todos esses relacionamentos intensos não passavam de seis meses. Quando se vive isso uma vez, ainda é possível se reconstruir, mas quando você passa por isso diversas vezes, o tubo de cola acaba, e você não consegue juntar todos os cacos.
E porque os relacionamentos não eram duradouros? Por um ladoera porque viviamosos tudo que era para ser vivido ao longo de um relacionamento de uma vez, e por outro porque a paixão que era o que nos unia, e no fim quando ela acabava, víamos que era só fogo de palha. Mas eu cheguei ao ponto que eu queria chegar, a tal da paixão, depois de muito refletir, eu cheguei a conclusão de que sim, a paixão é uma doença, e que eu não me relacionaria com alguém por quem eu estivesse apaixonada.
Mas, que coisa horrível, você só deveria se relacionar com alguém porque está apaixonada por ela. Não. A paixão, na minha visão estraga os relacionamentos, e torna impossível ter algo saudável. E eu digo para vocês porque, há uns dois anos, eu tive um relacionamento com um carinha que era meu amigo no tempo de escola, e no começo eu estava super apaixonada, mas veio a quarentena, e o nosso relacionamento caiu na rotina, não tinha mais aquela empolgação maluca do começo, eu já não precisava ver ele todos os dias, falar com ele de cinco em cinco minutos, saber onde ele estava toda hora, alguns finais de semana eu queria sair com os meus amigos, ou ficar em casa sem ele, e por isso, eu terminei, porque na minha cabeça, o nosso relacionamento tinha caído na rotina, e perdido a “magia”, e sabe, hoje eu olho para trás e me pergunto “O que raios eu tinha na cabeça?”, aquilo era um relacionamento saudável, nos éramos companheiros, amigos, confidentes, e não vivíamos em função um do outro, o que mais eu queria? Hoje eu vejo que aquilo era bom, porque era um relacionamento real, tinha paz, tinha amor, e confiança, que é o que sustenta um relacionamento, hoje em dia eu teria terminado com ele, mas não por esse motivo, porque não faz nenhum sentido.
Logo em seguida em vivi um relacionamento abusivo, e super intenso, cheio de montanhas-russas, foi quando eu percebi, que eu não queria mais essa vida, cheia de altos e baixos, noites acordadas, e todo o resto da parafernalha, eu não queria pagar o preço, porque a paixão era gostosa por alguns momentos, mas o preço era alto demais, eu não queria, nem quero migalhas.
Eu não quero dizer que eu me tornei uma pedra, e que eu nunca mais vou me apaixonar, até porque hoje eu estou num relacionamento, que sim, eu me apaixonei por ele, mais foi tudo com tanta calma, tanta cautela, e hoje eu posso dar graças, porque o meu relacionamento é o mais saudável possível, cheio de paz. O que eu quero dizer com tudo isso, é que estar apaixonado por alguém, não quer dizer necessariamente que você deva ter um relacionamento com aquele alguém, eu quero dizer que você precisa saber distinguir amor e paixão, porque são sentimentos completamente diferentes que não andam juntos.
Antes de entrar num relacionamento de cabeça, poderem, e pensem se vocês se amam o suficiente para saber a hora de ir embora, porque quando você se ama, você pode estar apaixonado, mas você sabe colocar um limite quando a outra pessoa não te faz bem.
Para mim, amor é acima de tudo racionalidade.