O que fizeram de nós foi covardia. E sim, também sinto em começar já reclamando como se reclamar fosse mesmo resolver alguma coisa: não, não vai. Mesmo assim, li um texto ainda há pouco e nunca havia lido tantas verdades sobre a minha própria geração. Sobre a nossa geração, aliás. Uma geração, segundo o texto, que foi condicionada a lutar por um sucesso instantâneo, imediato. Fizeram a gente acreditar que com tantos avanços no mundo e o acesso às informações que temos, a vitória seria muito mais fácil de alcançar. Que aos vinte, você já deveria estar com pelo menos, parte da sua vida engatilhada buscando a estabilidade que você passou a vida sonhando. Parece miragem. E no entanto, chega a ser desesperador pra nós descobrir que realmente essas facilidades não passam de miragem mesmo. Esqueceram de esperar de nós aquelas pequenas e simples felicidades que nem sempre a gente só vai encontrar lá na frente, com os problemas resolvidos e os resultados postos à mesa, mas sim, no meio do nosso viver. Sabe? Entre uma decepção e outra. A vida é a gangorra e esqueceram de fazer comparações simples como essa, teria sido importante... Teria sido fundamental porque hoje, vivendo os dias difíceis, desgastando-se cada dia um pouco mais seja no trabalho ou na faculdade ou no curso preparatório, a gente teria a concepção mais clara de que até que a gente chegue onde quer, tem um caminho que a gente precisa seguir. E que nele, a vida não para. Não, não. Ela continua seguindo e levando com ela, o nosso tempo. E essas são as poucas coisas desse mundo que a gente não pode ter nem esperança de poder voltar atrás. A questão não é você pensar em largar tudo porque quer simplesmente viver tudo o que quer, embora seja um risco justificável tendo em vista toda essa insônia e ansiedade que viemos sofrendo. Mas a gente precisa fazer bem mais do que usar uma inconsequência que nunca tivemos, afinal, de que adiantaria viver de coração apertado até aqui se fosse pra jogar todo o nosso potencial no lixo? De jeito nenhum! Eu sei que no ritmo certo, a gente vai chegar até onde queremos porque a gente pode. Sempre podemos. Fomos praticamente adestrados pra isso. Ouvimos as cobranças sociais dia após dia. "Tenha seu emprego, ganhe x mil reais por mês, tenha estabilidade para viajar pra onde quiser e pra trocar sempre o seu carro". A gente, mais do que ninguém, sabe o peso que é construir uma vida perfeita quando se a cada dia mais, essa vida perfeita vai ficando aparentemente cada vez mais longe do nosso alcance. Todo dia um novo item pra se adquirir e ser sucedido, todo dia um carro do ano, um celular atualizado. Algo material indispensável que converse com as pessoas no seu lugar e diga a elas que você conquistou o que a sociedade tanto esperou de você. Mas eu te pergunto: o que você tem esperado de você, principalmente nos últimos tempos? Sabe, na calada da noite, quando o sono vai embora e você usa a cabeça pra pensar em organizar o que você vem carregando por dentro, o que é que te passa? O que será que tem feito você parar? Mesmo que seja bem pouco, mesmo que no meio da correria de jornadas de horas longas de trabalho você só consiga descansar por algun instantes? Talvez seja por aí que a gente deva recomeçar quando perdemos o chão: pelas vezes em que a gente para e não precisa pensar no que a gente vai ser adiante. Mas no que a gente já é, aqui e agora.












