Hoje é meu segundo dia sem você e eu já não suporto acordar e saber que não terei o seu bom dia e que não poderei te mandar mil mensagens antes de você acordar. Eu não estava preparada pra te perder. Eu já sentia que você não precisava de mim, mas é péssimo te perder assim. Eu quero acreditar que é pra melhor, mas não consigo, porque eu só não estava preparada pra te perder, no fundo da minha alma eu poderia jurar que isso era algo que nunca iria acontecer. Até nisso o Shawn acertou, o amor é mesmo um sentimento fudido, né? Talvez por isso você tenha tanto medo dele.
Nem no lugar que não temos uma memória sequer juntos eu tenho paz, então onde terei? Eu odeio falar de como me sinto pra você. Você sempre cheio do seu "eu te entendo". Entende é o caralho. Sério que você tá me comparando com um amor adolescente? Eu também já tive desses, cheguei a pensar que tava mais que calejada e que superar as perdas tinha se tornado fácil com o tempo e com tantas partidas, mas eu quebrei a cara lindamente. Não se trata de quantos amores você teve, muito menos se você já soube como é sentir esse frio na barriga tão desejado por muitos - inclusive por mim, ou, no pior dos casos, conhecer profundamente o desprezo. Não se trata de nenhuma dessas merdas, então você não entende.
Te conhecer me fez abraçar uma vida que eu não sabia que existia. Te amar me fez ver que o amor é subestimado, porque o que eu achava conhecer de cabo a rabo e já estar preparada para suas artimanhas, me jogou contra a parede e foi arrebatador. Me deixou de quatro, jogou minhas cresças no ventilador e me fez melhor. E por mais que eu já tenha visto esse filme de novo e de novo, não é o mesmo filme, nunca é. Te conhecer foi tão revigorante, meu Deus. Você é como um furacão em uma manhã calma e ensolarada de junho, você me fez estar pronta pra aceitar o que Deus colocasse no meu caminho, porque com você eu me sentia mais forte. Mas você escorreu pelas pontas dos meus dedos. É impossível tocar a vida de alguém sem mudá-la, mas eu te mudei pra melhor? Sinto que quando você apareceu, tão cheio de vida, já não chega nem perto do que você é hoje.
Você é o meu primeiro amor da vida adulta. Eu sempre te falei isso, mas você sabe o que realmente significa? Significa que eu tava pronta pra crescer, viver e morrer do seu lado. Significa que eu aceitaria o que o universo mandasse e se fosse um pedacinho seu, eu o amaria mais do que qualquer coisa nessa vida e nas outras. Significa que, apesar de já amar até seus defeitos, eu os abraçaria e você saberia que nunca estaria sozinho, mesmo quando as coisas inevitáveis da vida acontecessem. A gente caminha em direção a morte, isso é normal e, com isso, a gente vai perder quem se ama e você ama muita gente, cabe tanto amor dentro de você. Eu estaria com você até o fim do mundo. Mesmo que você nunca tenha derramado uma lágrima nesse tempo todo, eu estaria do seu lado quando esse momento de escape chegasse.
Por que pra você é tão difícil ceder? Você não cede de jeito nenhum. Não aceita ver um filme que parece não gostar, não aceita ver um anime, ouvir uma música de um gênero que não é afim, ir num lugar novo. Você simplesmente não cede. É tão difícil assim confiar? Doar parte do seu tempo pra alguém? Mas eu deveria saber. Não estar pronto pra se doar 100% é exatamente isso, só que eu, por alguma razão, não consegui ver. Todas as suas negativas, todas as suas faltas de aberturas, tudo já tinha sido explicado. Você só não queria tentar e nem sabe o porquê, eu sei. A gente não sabe de tanta coisa, só que poderia tentar, né? E você nunca quis. Eu nem sei porque dói tanto, afinal, como você mesmo disse, faz quanto tempo que a gente terminou? 1 ano e 3 meses pra ser exata. E, por alguma razão, você estava certo, na minha mente é como se não tivesse acontecido, porque nada mudou entre a gente, pelo menos eu achava que não. A gente se afastou muito. Você me empurrou e eu deixei. Respeitei o seu tempo, o seu espaço. Sempre o seu momento, sempre com aquela maldita esperança de que você veria que no fundo eu sou a mulher da sua vida, assim como é tão claro que você é o homem da minha. Mas você ainda não é um homem, você é um garotinho.
A gente muda tão rápido, tudo em questão de segundos, como você acha que eu conseguiria voltar depois de meses longe de você? Eu tô dando o meu melhor pra expurgar todo esse sentimento, pra que eu ao menos pare de chorar toda vez que me lembrar de você. É óbvio que eu quero pegar um carro e ir até você, o mais rápido possível. Sentir o seu corpo colado no meu, a sua respiração quente no topo da minha cabeça e ouvir seu coração batendo, calmo. Caralho, que saudade da porra. Dois dias sem você, um mês sem te ver. Não deveria ser mais fácil? Acho que não é porque cada memória é vívida demais, até mesmo aquela que não aconteceu, você sabe bem qual. Aquele sonho, que talvez eu nunca entenda. Me diz, como viver depois disso? Depois de saber que nesse mundo existe você e que eu não posso mais te ter.
Já tava tudo tão difícil pra mim, sinceramente nem sei dizer porque, a vida em si sempre foi muito pesada de carregar e eu sempre senti que carregava sozinha a minha e a da minha família. Não dá pra parecer mal nessas horas. Quando é você quem sustenta algo, não existe isso de ficar mal. Mas eu vivo assim há um bom tempo e talvez o meu erro tenha sido ter depositado a saída em você. Além de ser uma puta responsabilidade, isso não se faz. Eu sei que sou problemática, uma pessoa que é completamente dependente emocional das outras e que não sabe viver sozinha, mas que raios é viver sozinha? Que raios é família? Que caralhos é amor? E que porra é liberdade? Eu vivi basicamente minha vida inteira buscando por isso. Amor, liberdade. Família? Isso eu só saberia quando finalmente achasse todo o resto, porque seria o que eu iria formar. Você sabe que minha vida inteira foi quase um Tom e Jessy ou um Piu-Piu e Frajola, em que eu, desesperadamente, desejava comer o amor. Sim, comer. Me preencher dele. Sufocar um vazio que está em mim, sem razão, sem início, que só me acompanha. E eu conquistei tanta coisa, engraçado isso. Eu não busquei por nada disso e essas mesmas coisas me fazem feliz, é óbvio, mas o que é a vida sem amor? É a mesma de sempre e eu não quero mais aquela mesmice.
Acho que eu tenho uma nova tatuagem favorita. Esse buraco em forma de coração no meu peito, porque nada transparece mais o vazio que eu tenho sentido do que a metáfora da ausência desse músculo tão essencial. "Eu preciso aprender a como prosseguir sem você". Éramos aliens sem amor...