A felicidade me assusta.
Parece coisa feita pros outros.
Tem uma voz dentro de mim que sussurra: "isso não é pra você."
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A felicidade me assusta.
Parece coisa feita pros outros.
Tem uma voz dentro de mim que sussurra: "isso não é pra você."
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O sujeito contemporâneo aprendeu a organizar a própria vida como um sistema de amortecimento emocional. Quase todas as escolhas relevantes, das profissionais às afetivas, passaram a obedecer menos ao desejo do que à engenharia preventiva da frustração. O problema não está apenas no medo de sofrer. Sofrimento sempre existiu como elemento inevitável da experiência humana. A novidade histórica aparece quando evitar desconforto deixa de ser um mecanismo pontual de defesa e se transforma na lógica estrutural da personalidade.
Boa parte das pessoas já não constrói a vida em torno daquilo que quer profundamente. Constrói em torno daquilo que reduz risco psicológico. Escolhe relações onde o abandono pareça improvável, empregos onde a humilhação seja administrável, rotinas onde a imprevisibilidade seja mínima, opiniões que preservem pertencimento social e ambições suficientemente modestas para impedir o colapso narcísico caso tudo dê errado. O efeito disso não é exatamente paz. É anestesia funcional.
Freud percebeu cedo que a civilização depende de mecanismos de contenção pulsional, mas provavelmente não imaginava uma sociedade em que a contenção deixaria de ser repressão explícita para virar autogestão permanente do desconforto. O indivíduo disciplinar do século XX ainda enfrentava proibições externas claras. O indivíduo contemporâneo internalizou o gerenciamento emocional como obrigação privada. A cultura inteira opera como um grande tutorial de prevenção de sofrimento. Evite pessoas tóxicas. Evite riscos desnecessários. Evite desgaste. Evite rejeição. Evite exposição. Evite ambientes difíceis. Evite conflito. Evite vulnerabilidade. Em algum momento, sem perceber, a própria vida passou a ser tratada como uma substância tóxica que exige manipulação cuidadosa.
Byung-Chul Han descreve parte desse fenômeno ao analisar a sociedade do desempenho. O sujeito atual não se percebe reprimido; percebe-se livre. Mas essa liberdade produz uma consequência paradoxal: toda derrota passa a ser interpretada como falha pessoal de administração emocional. Como ninguém quer experimentar inadequação, a tendência natural é construir trajetórias cada vez mais compatíveis com a manutenção da estabilidade psíquica. O problema é que estabilidade psicológica prolongada cobra: reduz tolerância à ambiguidade, enfraquece resistência emocional e produz indivíduos altamente funcionais para ambientes previsíveis, porém extremamente frágeis diante da realidade concreta.
A consequência prática disso aparece cedo, embora raramente seja nomeada corretamente. Pessoas confundem ausência de tragédia com felicidade. Confundem rotina controlada com maturidade. Confundem estabilidade emocional com vitalidade. Muitas vezes o que chamam de “estar bem” significa apenas que nada ameaçou seriamente sua autoimagem nos últimos meses.
Esse ponto importa porque a mente humana possui uma característica desconfortável: ela se adapta rapidamente à ausência de tensão significativa. Sem atrito, o sistema psíquico não entra em colapso imediato; ele perde densidade. Nietzsche entendia isso de maneira brutalmente clara quando associava crescimento humano à capacidade de suportar intensidade. Uma existência organizada exclusivamente para minimizar impacto emocional produz indivíduos incapazes de sustentar experiências profundas, porque profundidade emocional implica necessariamente vulnerabilidade ao dano.
Na prática, isso altera inclusive a forma como as pessoas se apaixonam, trabalham e pensam. Relações afetivas passam a funcionar sob protocolos invisíveis de contenção de risco. Ninguém se entrega completamente porque todos conhecem antecipadamente os custos emocionais da exposição radical. Carreiras são escolhidas menos pelo impulso criativo e mais pela previsibilidade identitária que oferecem. Até opiniões políticas e morais começam a obedecer lógica semelhante: posições excessivamente ambíguas aumentam risco de rejeição coletiva, então o sujeito prefere aderir a identidades prontas que fornecem estabilidade simbólica imediata.
A internet acelerou violentamente esse processo porque transformou a percepção pública em variável psicológica contínua. Cada postagem funciona como microteste de aprovação social. Cada silêncio vira potencial sinal de exclusão. Cada comparação visual produz recalibração narcísica instantânea. O resultado não é apenas ansiedade. É hiperadaptação defensiva. O indivíduo aprende a calcular permanentemente quais comportamentos minimizam possibilidade de frustração social.
Curiosamente, quanto mais sofisticados ficam esses mecanismos de autoproteção, menor parece a capacidade coletiva de lidar com eventos normais da existência. Pequenas rejeições adquirem peso traumático desproporcional. Fracassos comuns tornam-se crises identitárias. Incerteza vira intolerável. A vida emocional começa a operar com limiar baixíssimo de resistência.
Aqui surge uma consequência operacional importante. Quem organiza a própria vida em torno da evitação sistemática de frustração inevitavelmente sacrifica contato real com desejo. Desejo autêntico é estruturalmente arriscado porque envolve possibilidade concreta de perda, inadequação e humilhação. Não existe ambição relevante sem ameaça narcísica correspondente. Não existe amor profundo sem possibilidade real de devastação emocional. Não existe criação intelectual séria sem exposição ao fracasso público.
Por isso tantas pessoas permanecem anos em estados estranhos de apatia organizada. A superfície da vida parece funcional, mas há uma sensação subterrânea de irrealidade permanente, como se tudo estivesse tecnicamente no lugar correto e ainda assim faltasse contato genuíno com alguma dimensão vital da experiência. Muitas vezes falta exatamente isso: frustração suficiente para romper o sistema de amortecimento psicológico.
Nesse momento, vale abandonar abstrações e observar alguns sinais concretos desse mecanismo em operação:
Quando uma decisão importante é tomada exclusivamente com base na redução de ansiedade imediata, existe grande chance de que ela esteja protegendo a autoimagem mais do que construindo futuro. O cérebro interpreta alívio instantâneo como inteligência adaptativa, mas frequentemente trata-se apenas de fuga sofisticada.
Se a dor perpetua na angústia silenciosa, uma hora ou outra ela volta, e por muitas vezes acaba sangrando em quem mais queremos bem.
Charles Souza S. Silva
Capítulo 1: O Corpo Que Apodrecia em Vídeo A gravação começava sempre do mesmo jeito: um frame escuro, barulhos de estática, e então o corpo aparecia. Deitado no chão de concreto, a pele pálida pixelada, olhos abertos demais, tempo demais. Como se estivesse vivo — mas não estava. Ou pelo menos, não deveria estar.
Victor Gray rebobinou a fita pela quinta vez.
— Isso não é possível — murmurou, enquanto o chiado da TV engolia o som do vídeo. Aquela imagem tinha sido capturada por uma câmera analógica, em um porão onde não havia sinal. Ninguém admitia ter filmado. Ninguém sequer admitia ter estado lá. Mas o corpo estava apodrecendo em tempo real, mesmo na gravação. Como se a fita estivesse presa a outro tempo.
Do lado da mesa, o gravador de fita chia. A voz do Victor do passado sussurra na fita:
“Cadáver masculino. Sem identificação. Câmera mostra decomposição avançando rápido demais. O vídeo muda toda vez que é visto. A memória do morto parece viva.”
Ele pausou. Encostou os dedos no pescoço, tateando o próprio pulso. Ainda batia. Por enquanto.
Do outro lado da cidade, no Laboratório de Perícias Neurais, a Dra. Celina Amaral observava a projeção do mesmo corpo — mas no visor de memória neural. A máquina estava tremendo. As ondas cerebrais do cadáver, que deveriam estar em silêncio, pulsavam como se estivessem resistindo. Como se o morto estivesse sonhando.
E no rádio enferrujado de um boteco no centro, a voz andrógina de Lux murmurava num chiado quase sensual:
“A cidade tem fome, Victor. O cadáver é só o começo. Olha de novo a fita. Mas desta vez, presta atenção na sombra do canto esquerdo. Ela também te viu.”
Victor parou. Voltou a fita. No canto esquerdo, pela primeira vez, uma sombra moveu o pescoço.
E sorriu.
(Todos os direitos reservados)
Tengo miedo de querer tanto a una persona hasta el punto de perdonarle todo lo malo que haga.
Quererme-bonito
Sieri e pensieri
“Trisha”, bozzetto a matita, AFAN Alessandro Fantini (2022) Estratto dal romanzo “Il Sabato Sfecide“ Disponibile in formato ebook e paperback su Amazon, Lulu e Smashwords CAPITOLO IV – SIERI E PENSIERI “Per ottantamila euro non mi alzo nemmeno dal letto.” “Sul serio l’ha detto?” “Sta scritto qua” “E c’ha ragione. Ne fa quasi due volte tanto a post.” “Che strafiga assurda. Uh! Uh!” “Sta…
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♂️ Placebo ♂️
Children
Imagina ser un niño huérfano abandonado por el mundo, sin ninguna esperanza caminas por la carretera sin rumbo fijo pero, oyes a lo lejos un auto
Sera acaso un milagro o una desgracia?
Cuando te diste cuenta el carro estaba demasiado cerca solo puedes ver las luces del frente del carro que te encandilan, ha ultimo minuto freno, aun podías oler el aroma a quemado que salia de las chantas un muchacho de apariencia joven salio apresurado del carro y te sostuvo preguntando si estabas bien
Tus piernas dolían demasiado para siquiera tener la fuerza de correr, tus ojos se cerraban de cansancio aculado por días en tu tenso cuerpo, y los golpes y heridas aun seguían frescos en tu piel, pero obligaste ha tu cuerpo a no ceder mordiste la mano que tocaba tu mejilla haciéndolo retroceder de un salto debido a la sorpresa
Se ve ha amable a primera vista, pero había algo en el que te ponía los pelos de punta, habías a prendido a la mala a no buscar ayuda ciegamente
"¿Estas bien? yo puedo ayudarte, se un lugar en donde estarás mejor que aquí"
No creías ninguna de sus palabras pero, estabas al borde del colapso era confiar o morir aquí para que un animal comiera tus restos, no había muchas opciones, aun que ¿cuando hubo opciones?
Después de eso solo escuchaste gritos y un fuerte golpe en la cabeza con el pavimento....
¿Sigo viva?
"Si"
¿Que paso?
"Solo fueron unos cuantos golpes, pero supongo que eres muy inútil"
¿Donde estoy?
"Sshhh, tranquila, ahora estas en casa, con mama, déjame darte un poco de amor ¿si?"
Abriste los ojos, sudor caía de tu frente, y una presión invisible permanecía en tu cuello, te producía un nudo en la garganta que te hacia difícil respirar
"Me alegra que hayas despertado, estaba muy preocupado"
Era el mismo muchacho de la otra vez, al parecer era una pesadilla, hoy no tendrías el gusto del descanso eterno, iban en una camioneta en la parte de atrás con tu supuesto salvador
"No te preocupes ya estamos a punto de llegar aún horfanato seguramente allí encontrarás una buena familia"
¿¡Familia!? ¡FAMILIA MI CULO!
Lo único que que querías era aventarte de esta mierda lo más pronto posible, pero no eras la favorita de Dios hoy al parecer
El carro frenó, era una oportunidad pero al parecer tus piernas habían sido atadas con algo rígido
"Lo siento pero asumí que volverías a escapar así que vende tus heridas de esa manera tan rígida"
Ah shit, here we go again!
No había otra opción además del obedecer hasta que te recuperarás
Mientras él se despedía de su madre pudiste ver el alivio en sus ojos a pesar de sus palabras llenas de preocupación y “amor de madre”
Los humanos son seres tan expresivos no importa lo mucho que mientas siempre se podrá ver reflejada la verdad que con tanto desesperación intentan oculta
Fue el único lugar pensamiento que tuviste después de ver la sonrisa en el retrovisor del auto que cada vez más se iba alejando
"Bueno ya es hora de conocer nuestro nuevo hogar"
Exclamó mientras sonreía con tanto entusiasmo, mientras caminaban te contaba de su vida su padre,su madre, su escuela, sus amigos
Y CARAJO
estabas tan cansado de esto tenias tantas ganas de repetir como su madre lo dejo sin mirar atrás, el cómo lo habían abandonado y lo poco que le importaba su vida
Pero no importa cuánto intentarás abrir la boca, ninguna palabra salía solo sonidos indescriptibles