Referência Bibliográfica: ANDERSON, Chris. A Cauda Longa. Elsevier Brasil. 2006. 240 páginas.
Tipo de Fichamento: Citação
CAPÍTULO 1: COMO A TECNOLOGIA ESTÁ CONVERTENDO O MERCADO DE MASSA EM MILHÕES DE NICHOS
"Em 1988, um montanhista inglês, Joe Simpson, escreveu um livro intitulado Tocando o vazio, relato contundente de sua sobrevivência nos Andes peruanos [...] Apesar das resenhas favoráveis, o livro fez pouco sucesso e logo foi esquecido. Até que, anos depois [...] No ar rarefeito, de Jon Krakauer, outro livro trágico sobre montanhismo, tornou-se sensação no mundo editorial. E, de repente, Tocando o vazio começou a vender novamente." (p. 1)
"[...] As livrarias começaram a promovê-lo ao lado de No ar rarefeito e as vendas se mantiveram em ascensão. Em princípios de 2004, a IFC Films lançou um docudrama sobre a história, também elogiado pela crítica. Pouco depois, ela publicou nova edição revisada do livro, que passou 14 semanas na lista dos best-sellers do New York Times. Em meados de 2004, Tocando o vazio vendia mais do dobro de No ar rarefeito." (p. 1)
"[...] Por ocasião do lançamento de No ar rarefeito, alguns leitores enviaram resenhas para a Amazon.com, apontando as semelhanças com o então menos conhecido Tocando o vazio, que cobriram de elogios [...] Em breve, o software da livraria online identificou padrões nos comportamentos de compra [...] e começou a recomendar os dois como par." (p. 1)
"Essa característica não é exclusiva das livrarias online [...] A seleção irrestrita está revelando verdades sobre o que os consumidores querem e como pretendem obtê-lo, em ampla gama de serviços [...] Os consumidores estão mergulhando de cabeça nos catálogos, para vasculhar a longa lista de títulos disponíveis [...] E quanto mais descobrem, mais gostam da novidade. A medida que se afastam dos caminhos conhecidos, concluem aos poucos que suas preferências não são tão convencionais quanto supunham (ou foram induzidos a acreditar pelo marketing, pela cultura de hits ou simplesmente pela falta de alternativas)." (p. 1)
"Os dados sobre vendas e as tendências desses serviços e de outros semelhantes revelam que a economia emergente do entretenimento digital será radicalmente diferente da que caracterizava o mercado de massa. Se a indústria do entretenimento no século XX baseava-se em hits, a do século XXI se concentrará com a mesma intensidade em nichos." (p. 1)
"Muitos produtos de entretenimento de excelente qualidade, capazes de atrair grande público no âmbito geral, não conseguem superar as barreiras do varejo local." (p. 2)
"A maldição das tecnologias de broadcast é serem consumidoras perdulárias de recursos limitados. O resultado é mais um exemplo da necessidade de agregar grandes audiências em áreas geográficas limitadas — outra grande barreira que só é superada por pequena fração dos novos conteúdos." (p. 2)
"No último século, a indústria do entretenimento encontrou uma solução fácil para essas restrições: o foco no lançamento de grandes sucessos [...] Os sociólogos dirão que os hits são inerentes à psicologia humana — que são o efeito da combinação de conformismo e divulgação boca a boca. E, sem dúvida, boa parte dos hits fazem jus à fama: músicas arrebatadoras, filmes inspiradores e livros instigantes são capazes de atrair grande público." (p. 2)
"Em resumo, essa é a maneira como encarávamos o mercado no século passado. Cada varejista tem seu próprio limite econômico, mas todos definem algum ponto de corte em seus estoques. O que se espera que venda uma quantidade mínima é mantido em estoque; o resto fica fora. Em nossa cultura movida a sucessos, as pessoas se concentram obsessivamente no lado esquerdo da curva, na tentativa de adivinhar o que se aglomerará nesse pequeno espaço." (p. 3)
"[...] para varejistas online, como Rhapsody, o mercado é aparentemente infinito." (p. 4)
"E assim se forma a Cauda Longa. Nela é possível encontrar qualquer coisa, como velhos sucessos, ainda lembrados com carinho por fãs dos bons tempos ou redescobertos por novos aficionados: as gravações ao vivo, as faixas que não fizeram tanto sucesso, as remíxagens e, para espanto geral, até capas. Os nichos chegam às centenas, gêneros, dentro de gêneros, dentro de gêneros [...] ou a músicas ambientais rítmicas." (p. 4)
"[...] também existe muito lixo na Cauda Longa [...] online, é mais fácil evitá-las, pois é possível escolher apenas as melhores músicas, com a ajuda de recomendações personalizadas. Assim, [...] todo lixo online é deixado de lado, sem fazer mal a ninguém, em algum servidor remoto, ignorado pelo mercado, que avalia as músicas por seus próprios méritos." (p. 4)
"Quando se pensa no assunto, a maioria dos negócios de Internet bem-sucedidos de alguma maneira explora a Cauda Longa. O Google, por exemplo, ganha boa parte de seu dinheiro não com grandes empresas anunciantes, mas com a propaganda de pequenos negócios (a Cauda Longa da propaganda) [...] Ao superar as limitações da geografia e da escala, empresas como essas não só expandem seus mercados, mas também, o mais importante, descobrem outros mercados inteiramente novos. Além disso, em todos os casos, esses mercados que se situam fora do alcance dos varejistas físicos se revelaram muito maiores do que seria de esperar — e se tornam cada vez mais vastos." (p. 5)
"Esses novos negócios com espaço infinito nas prateleiras efetivamente aprenderam as lições da nova matemática: um número muitíssimo grande (os produtos que se situam na Cauda Longa) multiplicado por um número relativamente pequeno (os volumes de vendas de cada um) ainda é igual a um número muito grande. E, ainda mais uma vez, esse número muitíssimo grande está ficando cada vez maior." (p. 5)
"Uma maneira de raciocinar sobre as diferenças entre as escolhas limitadas de ontem e a abundância de hoje é comparar nossa cultura com um oceano em que só aflorassem na superfície as ilhas de sucessos. Nele se avistam uma ilha de músicas feita apenas das mais ouvidas nas paradas de sucesso, uma ilha de filmes composta somente de campeões de bilheteria, um arquipélago de programas populares de TV do horário nobre e assim por diante." (p. 6)
"[...] Quando o custo de distribuição cai, é como se o nível da água baixasse no oceano. De repente, despontam na superfície áreas até então submersas. E o que está abaixo da linha d'água é muito maior do que à tona. Agora, à medida que os varejistas online exploram suas extraordinárias eficiências econômicas, começamos a divisar as encostas de grandes montanhas de escolhas, onde antes se avistava apenas o pico." (p. 6)
"Quando se é capaz de reduzir drasticamente os custos de interligar a oferta e a demanda, mudam-se não só os números, mas toda a natureza do mercado. E não se trata apenas de mudança quantitativa, mas, sobretudo, de transformação qualitativa. O novo acesso aos nichos revela demanda latente por conteúdo não-comercial. Então, à medida que a demanda se desloca para os nichos, a economia do fornecimento melhora ainda mais, e assim por diante, criando um loop de feedback positivo, que metamorfoseará setores inteiros — e a cultura — nas próximas décadas." (p. 6)
CAPÍTULO 5: OS NOVOS PRODUTORES
"A astronomia é uma área de atuação natural para o trabalho voluntário [...] E menos uma questão do tamanho e do preço do telescópio e mais uma questão de quantos olhares estão voltados para o céu, com os instrumentos certos, em determinado instante. Os amadores multiplicam muitas vezes a força de trabalho dedicada à astronomia [...]" (p. 8)
"O SETI@home ("Search for Extraterrestrial Intelligcnce at home") é um projeto que explora a capacidade ociosa de computação de mais de meio milhão de computadores domésticos. Depois de coletar horas e horas de ruído branco (white noise) oriundo do espaço, o projeto distribui os dados oriundos de seus radiotelescópios para os computadores dos voluntários [...] o programa varre os bits de cada gravação, na esperança de localizar algum sinal que talvez tenha sido produzido por inteligências alienígenas. Ao distribuir esses dados entre os computadores dos voluntários, o projeto torna-se capaz de examinar quantidade muito maior de sinais do que seria possível sem tal compartilhamento; e o único requisito para participar do projeto é baixar algum software." (p. 8)
"Nos softwares de "fonte aberta", pelos quais qualquer pessoa pode contribuir para o projeto, o mantra é: "Quando existem olhos suficientes, todos os bugs são triviais." [...]" (p. 8)
"Evidentemente, os Pro-Ams estão sujeitos a limites. A participação deles consiste, principalmente, em colher dados, não em criar novas teorias sobre astrofísica. Embora, às vezes, não consigam analisar de maneira adequada os dados que coletaram, sua participação na área parece assegurada." (p. 8)
Democratização das Ferramentas de Produção
"[...] os Pro-Ams são uma criação da primeira força da Cauda Longa, a democratização das ferramentas de produção." (p. 9)
"A consequência de tudo isso é que estamos deixando de ser apenas consumidores passivos para passar a atuar como produtores ativos. E o estamos fazendo por puro amor pela coisa (a palavra "amador" vem do latim amator, "amante", de amare). O fenômeno se manifesta por toda parte [...]." (p. 9)
"Doe Searls chama esse fenômeno de mudança do consumismo para o "producismo" participativo: A "economia do consumo" é um sistema controlado pelos produtores, no qual os consumidores não são nada mais do que fontes de energia que metabolizam produtos em dinheiro. Esse é o resultado absolutamente corrompido do poder absoluto dos produtores sobre os consumidores, desde que os produtores ganharam a Revolução Industrial." (p. 9)
"Uma coisa é assistir a um filme ou ouvir uma música e pensar em "gênios" — que alguém muito especial com extraordinário aparato de produção criou essa obra-prima sem igual, que nos marcou com tanta profundidade [...] quando sabemos o que acontece nos bastidores, começamos a perceber que também nós podemos ser os gênios privilegiados [...] Quando as pessoas compreendem como se fazem as grandes obras, é mais provável que elas mesmas queiram fazê-las." (p. 10)
"Hoje, milhões de pessoas comuns tem as ferramentas e os modelos para se tornarem produtores amadores. Algumas também terão talento e visão. Como os meios de produção se difundiram com tamanha amplitude, entre tantas pessoas, os talentosos e visionários, ainda que representem uma pequena fração do total, já são uma força a ser levada em conta [...] O efeito dessa mudança significa que a Cauda Longa crescerá em ritmo nunca antes visto." (p. 10)
"Em janeiro de 2001, um próspero operador de opções, chamado Jimmy Wales, decidiu construir uma grande enciclopédia online de uma maneira inteiramente nova [...] Essa enciclopédia estaria disponível de graça para todo o mundo; e seria criada não por especialistas e editores, mas por todos que quisessem contribuir. Wales começou com poucas dezenas de artigos pré-escritos e um software aplicativo chamado Wiki (palavra havaiana que significa "rápido" ou "veloz"), que cria condições para que qualquer pessoa com acesso a Internet entre num site, edite, apague ou aumente seu conteúdo. Propósito: nada menos que construir um repositório de conhecimentos que rivalize com a antiga biblioteca de Alexandria." (p. 10)
"O trabalho individual aos poucos evoluiu em grandes empreendimentos de equipe [...] vários membros do Iluminismo Escocês começaram a aplicar os princípios industriais da administração científica e as lições da linha de montagem à criação de uma enciclopédia que o mundo nunca vira antes [...] Recrutaram-se grupos de especialistas para escrever artigos acadêmicos, sob a direção de um gestor, tudo planejado, organizado e coordenado por minuciosos diagramas de trabalho." (p. 10)
"Agora, Wales lançou um terceiro modelo: a enciclopédia aberta e coletiva. Em vez de basear-se numa única pessoa inteligente ou num grupo de indivíduos privilegiados, a Wikipedia explora os conhecimentos de milhares de pessoas de todos os tipos [...] com muitos curadores voluntários que adotam verbetes e mantêm-se atentos à sua evolução." (p. 10)
"Tudo de que se precisa a fim de contribuir para a Wikipedia e acesso à Internet. Todos os verbetes têm uma aba "Edite esta página", acessível a qualquer pessoa. Cada indivíduo é especialista em alguma coisa e a beleza da Wikipedia é que praticamente não existe assunto tão estreito que não mereça um verbete [...] Quando se abre uma grande enciclopédia e não se encontra um verbete para o que se está procurando ou o verbete existente parece inadequado, pouco se pode fazer, a não ser torcer as mãos ou escrever uma carta para o editor, esperando receber resposta. Na Wikipedia, contudo, é possível melhorar o verbete ou criar um novo verbete. Esse tipo de mudança, de ressentimento passivo para participação ativa, faz enorme diferença." (p. 11)
"Muito se fala sobre o fato de os verbetes da Wikipedia "não serem sancionados por autoridades no assunto", ou seja, credenciados, o que significa dizer que nem sempre são exatos. Isso, evidentemente, é inevitável quando qualquer pessoa pode escrevê-los ou alterá-los." (p. 11)
"Quando profissionais [...] estão dirigindo o espetáculo, pelo menos sabemos que compete a alguém cuidar de alguns atributos fundamentais, como exatidão. Mas, agora, dependemos cada vez mais de sistemas pelos quais ninguém é responsável; a inteligência é simplesmente "emergente" [...] Esses sistemas probabilísticos não são perfeitos, mas, sob o ponto de vista estatístico, são otimizados para, com o tempo, tornar-se excelentes. Eles foram concebidos para "aumentar de escala" e melhorar com o tamanho. Um pouco de confusão e possíveis falhas na microescala são o preço que se paga pela eficiência na macroescala." (p. 11)
"A vantagem dos sistemas probabilísticos é que eles se beneficiam da sabedoria das multidões e, em consequência, podem aumentar de escala, tanto em amplitude quanto em profundidade. No entanto, como essa característica sacrifica a certeza absoluta em microescala, é preciso considerar cada resultado isolado com um pouco de dúvida. A Wikipedia deve ser a primeira fonte de informação, mas não a última. Deve ser o site para exploração de informações, mas não a fonte definitiva dos fatos." (p. 12)
"O mesmo se aplica aos blogs. Nenhum deles é absolutamente credenciado, confiável e fidedigno. Os blogs são uma forma de Cauda Longa e é sempre um erro generalizar sobre a qualidade ou natureza do conteúdo na Cauda Longa - ela é, por definição, variável e diversa. Mas, em conjunto, os blogs estão se revelando tão fidedignos quanto a grande mídia ou até mais confiáveis. Apenas é necessário ler mais de um deles para decidir." (p. 12)
O Poder da Produção Colaborativa
"Como um todo, a Wikipedia é, em tese, a melhor enciclopédia do mundo: maior, mais atualizada [...] Mas, em cada verbete, a qualidade varia. Ao lado de artigos de surpreendente academicismo e erudição, encontram-se muitos stubs, ou seja, previsões de artigos que em geral fornecem informações rudimentares sobre um tópico a ser expandido, e até mesmo spams autógenos." (p. 12)
"A essência da questão não é que todos os verbetes da Wikipedia sejam probabilísticos, mas que toda a enciclopédia se comporta de maneira probabilística. As chances de se acessar um verbete substancioso, atualizado e exato da Wikipedia referente a qualquer assunto são excelentes, ainda que nem todos os verbetes sejam notáveis." (p. 13)
"O que torna a Wikipedia de fato extraordinária é sua capacidade de melhorar com o tempo, curando-se organicamente, como se seu enorme exército, em rápido crescimento, de colaboradores espontâneos fosse um sistema imunológico, sempre vigilante e ágil na reação a qualquer coisa que ameace o organismo [...]" (p. 13)
"O resultado é um tipo muito diferente de enciclopédia, que não está sujeita a quaisquer limites de natureza espacial ou quanto aos recursos de produção . Ela oferece todos os verbetes que esperamos de um livro de referência de primeira classe e centenas de milhares de outros inesperados, abrangendo artigos com a profundidade de livros-texto, em assuntos como mecânica quantum, até biografias de personagens de quadrinhos. Em outros termos, inclui todos os hits mais enorme quantidade de nichos." (p. 13)
"Esse é o mundo da "peer production" (produção colaborativa ou entre pares), fenômeno extraordinário, possibilitado pela Internet, caracterizado pelo voluntarismo ou amadorismo de massa. Estamos na aurora de uma era em que a maioria dos produtores, em qualquer área, não será remunerada. A principal diferença entre esses amadores e seus colegas profissionais é simplesmente a lacuna cada vez menor nos recursos disponíveis, para que ampliem o escopo de seu trabalho. Quando as ferramentas de trabalho estão ao alcance de todos, todos se transformam em produtores." (p. 14)
"[...] Por que será que alguém cria algo de valor, de verbetes de enciclopédia a observações econômicas, sem um plano de negócios e, nem mesmo, perspectiva de remuneração? A questão é fundamental para a compreensão da Cauda Longa, sobretudo porque boa parte do que compõe a curva não começa com propósitos comerciais. Ainda mais importante, o assunto é relevante porque representa mais um exemplo de até que ponto nossos pressupostos sobre os mercados devem ser repensados. A motivação para a criação não são os mesmos na cabeça e na cauda da curva. Os modelos econômicos não se aplicam a todos os casos. Pode-se refletir sobre a Cauda Longa como algo que começa como economia monetária tradicional na cabeça e que termina como economia não-monetária na cauda. Entre os dois extremos, predomina uma mistura de ambos os modelos." (p. 14)
"No alto, na cabeça, onde os produtos se beneficiam de canais de distribuição de mercado de massa poderosos, mas dispendiosos, predominam os aspectos de negócios. Esse é o domínio dos profissionais e, como tal, por mais que os produtores amem a profissão, trata-se também de trabalho e de fonte de renda. Os custos de produção e de distribuição são altos demais para que a economia fique em segundo plano em relação à criatividade. O dinheiro impulsiona o processo." (p. 14)
"Embaixo, na cauda, onde os custos de produção e distribuição são baixos, graças ao poder democratizante das tecnologias digitais, os aspectos de negócios geralmente são secundários. [...] A razão por que o fenômeno assume características de economia e a existência de uma moeda no reino capaz de ser tão motivadora quanto o dinheiro: reputação. Medida pelo grau de atenção atraída pelo produto, a reputação pode ser convertida em outras coisas de valor: trabalho, estabilidade, público e ofertas lucrativas de todos os tipos." (p. 14)
Auto-Editoração sem Acanhamento
"A busca por aceitação no mercado de massa exige concessões [...] quase todos os autores preferem seguir suas paixões e aceitar que não ganharão muito dinheiro. Muitos nada mais querem do que ser lidos por algum grupo de afinidade — por seus pares ou por pessoas com interesses semelhantes." (p. 15)
"[...] a maioria dos autores ainda não usa esses serviços de auto-editoração para ganhar dinheiro, nem espera grande sucesso. Boa parte [...] optam pela auto-editoração por estarem conscientes de que o que estão escrevendo não deve vender o suficiente para tornar compensadora a busca de um editor comercial. [...] Há poucos anos, a maioria desses autores não publicaria livros, o que seria o bastante para desencorajar muitos a não escrever nenhum livro. Mas, hoje, os custos da editoração caíram tanto que quase todo mundo pode ser auto-editor, Isso significa que as pessoas podem escrever livros por qualquer motivo e não mais precisam que as editoras comerciais decidam se vale a pena levá-lo ao mercado." (p. 16)
"[...] A diferença entre produtores "profissionais" e "amadores" torna-se cada vez mais nebulosa e é bem possível que acabe perdendo a relevância. Não fazemos apenas aquilo por que somos remunerados, mas também aquilo que queremos. E ambos os tipos de atividades podem ser valiosos." (p. 16)
"Desde cineastas até bloguistas, produtores de todos os tipos, que começam na cauda, com poucas expectativas de sucesso comercial, podem dar-se ao luxo de correr riscos, pois têm menos a perder [...] Sob esse aspecto, a Cauda Longa talvez se transforme na área crucial da criatividade, lugar onde as ideias se formam e se desenvolvem, antes de se transformarem em sucessos comerciais." (p. 16)