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The Good Doctor
Sabe aquelas séries que já nos primeiros minutos te prendem e você tem certeza que irá acompanhá-la até o ultimo episódio, mesmo que tenha várias temporadas e se passem anos? The Good Doctor é uma delas. E não só porque o personagem principal é um jovem médico autista, nem porque é do mesmo criador de House, mas porque é brilhante, sensível, correta.
Interpretação irretocável do ator britânico Freddie Highmore, sem estereótipo ou caricatura. A série nos faz pensar sobre as possibilidades laborais de autistas, uma preocupação constante desde que a família recebe diagnóstico, sobretudo dependendo do perfil dentro do espectro.
O jovem médico atém de TEA tem savantismo, condição rara de um tipo de inteligência muito acima da média. Oliver Sacks fala disso no livro Um Antropólogo em Marte, do qual já falei aqui. Não é o caso da maioria das pessoas com autismo, ao contrário, boa parte delas está abaixo, com frequente comorbidade de Deficiência Intelectual. Segundo estudos a prevalência seria em 70% dos casos, mas há críticas metodológicas às avaliações de inteligência em pessoas com TEA.
Espero que seja renovada para novas temporadas, e a julgar pela ótima audiência, superou até mesmo The Big Bang Theory na audiência americana (falarei do Sheldon e seu possível autismo em outro post), é provável que sim.
Quem me conhece sabe que minha série favorita é House. Sobretudo pelo personagem, que, segundo amigos próximos se parece comigo, imagino que mais pela ranzizisse que pela inteligência.
Outro dia descobri um site americano que calcula a quantidade de tempo que se leva pra ver uma série (http://tiii.me/). No caso de House, com suas 8 temporadas, se leva 5 dias, 9 horas e 48 minutos. Como já vi cada episódio várias vezes, já devo ter passado cerca de dois meses só vendo essa série. Nem vou somar as outras que gosto.
Enfim, em três episódios o autismo é citado. Um deles, na quinta temporada, o foco é uma professora numa sala de educação especial. O aluno autista tem breve participação (5ª Temporada, episódio 13 - Big Baby).
Em outros dois o foco está em personagens/pacientes autistas. Ambos na 3ª Temporada. Em Rabiscos na Areia (Lines in the sand), House assume o caso de um garoto autista não-verbal. No outro, Meia Capacidade (Half-Wit), o paciente é um músico autista com Savantismo.
Curioso que em Rabiscos na Areia o próprio House é comparado ao autista por seu inseparável amigo e também médico, Wilson, que mostra que House pode ter Asperger. Faz sentido se considerarmos muitos dos comportamentos dele vistos ao longo da série.
Essa semana vamos abrir nossos microfones e corações para conhecer e nos aproximar do universo de mais de um milhão de pessoas no Brasil que foram diagnost
Um das maneiras mais legais de produzir conhecimento com o acesso fácil aos meios de produção e distribuição via Internet é o Podcast. Eu mesmo gravei dezenas com meus amigos da Garagem Dinâmica, startup de produção de conteúdo que fundei anos atrás com eles. O nome do Podcast era Papo de Coreto. Nossas muita obrigações profissionais e acadêmicas, no entanto, fecharam as portas temporariamente da garagem, mas muitos outros podcasters que gostamos continuam na ativa.
Um deles, as meninas do Mamilos, que faz parte do grupo B9, é um dos que mais discutem temas bacanas através dessa mídia. Nessa semana pra minha surpresa e alegria (clichê verdadeiro), elas falam sobre Autismo. Com a participação de uma Neuropsicóloga (uruu!) e uma jovem autista de alto funcionamento (asperger) e de algumas mães o programa tá massa. Fica a dica. É só clicar no link acima e ouvir em streaming ou baixar.
Power Ranger Azul
Como já mencionei antes, busco inspiração acadêmica via arte, através de livros, filmes e quadrinhos (e fotografia!). Além da dissertação, venho escrevendo e participando de projetos artísticos e profissionais paralelos sobre TEA. Ainda falarei deles por aqui.
Um filme bacana que assisti recentemente foi Power Rangers, que estreou em março desde ano. E não foi para matar a saudade do original, foi pura pequisa! Embora eu tenha uma amiga que adoraria ser a Power Ranger Rosa, eu particularmente nunca fui muito fã.
Mas essa releitura da série trouxe um elemento interessante, o personagem Power Ranger Azul (da foto, cujo boneco procurei por uma promoção, mas acabei pagando caro) foi construído como alguém com autismo. Muito bem interpretado pelo ator RJ Cyler, que se destacou tanto na trama, como fazendo o papel de um autista bastante convincente. A ideia de ser o azul também foi legal, visto que é a cor símbolo do autismo.
“Atypical” da Netflix
Mandei um SMS agora há pouco pra Iara, pois é, quem ainda usa SMS, mas ela está desconectada do WhatsApp, tá magoada comigo. Eu disse na mensagem que quando ela vir Atypical, que ela leia algumas das frases do Sam (Keir Gilchrist) como frases que eu mesmo poderia dizer pra ela, ou que já tentei dizer. Sobretudo quando ele diz que as pessoas acham que autistas (ou pessoas com autismo, tanto faz, a série também traz essa discussão), não têm empatia, que não percebem quando magoam alguém, já ouvi isso, que não gosto de ninguém.
A verdade é, diz Sam, é que percebem, mesmo sem saber as vezes o porquê,mas percebem muito mais intensamente que neurotípicos. É só lembrar de episódios com o House ou o Sheldon (no futuro falarei deles). Acabei de maratonar a série que estreou ontem. Que pena que é tão curtinha, somente oito episódios.
Ainda a reverei para pensar em mais detalhes, mas gostei muitíssimo. E se eu colocasse numa só palavra do que trata a série, seria de amor. De relacionamentos e de família. Não importa que o protagonista seja alguém com autismo, a série fala a todos. Mas é ótimo poder ver o tema em uma série tão bem produzida, dirigida e tão bem interpretada (por todos da família). Imagino até que algum dos roteiristas deva ter autismo ou tem algum familiar, porque a série tem sutilezas que só quem convive de perto sabe, tanto da questão da topografia dos sintomas (muito bem representadas), quanto de questões familiares e políticas..
Sam é de alto funcionamento, tem altas habilidades, quem sabe em outras temporadas (Netiflix por favor renove!) veremos outros exemplos do espectro. Quem sabe autistas reais como autores, o que seria ainda melhor.
Vale a pena ver, uma ótima maneira pra pensar sobre famílias que convivem com filhos autistas (que viram muitas vezes o centro das atenções e todos sofrem com isso), com seus conflitos, dramas, sobre inclusão escolar (que ideia incrível pro baile!), sobre aceitação na sociedade. Uma série sobre pessoas. Sobre todos nós.
Tema Autismo na Netflix
Estreia essa semana na Netflix, no dia 11 de agosto, a série Atypical, que foca o cotidiano de um adolescente autista e suas dificuldades em lidar com as demandas da vida, típicas de um jovem entrando na idade adulta. Falarei mais da série futuramente.
E pra quem gosta da Netflix, existem outros filmes e séries que tocam na temática do autismo. Um deles, Asperger’s Are Us (2016), é um divertido documentário sobre um grupo de jovens autistas (dos que se consideram aspergers ou aspies) americanos que fazem apresentações de comédia. Sim! Comédia feita por autistas, vale a pena assistir. As cenas gravadas das performances são hilárias, assim como o próprio processo de criação e suas dificuldades, foco do filme.
Outro filme interessante, nesse caso na categoria ficção, mas baseado em fatos reais é O Farol das Orcas, produção espanhola e argentina de 2016 que narra a história de uma mãe que leva seu filho autista de 11 anos da Espanha para a Patagônia argentina depois que ele viu um documentário sobre um santuário de baleias e demonstrou uma reação emocional pela primeira vez. Um excelente exemplo de como pais de crianças com autismo fazem de tudo para ajudar no desenvolvimento de seus filhos.
Também disponível no serviço de streaming com personagem autista é a série Touch, de 2012, anteriormente exibido pela Fox, tendo duas temporadas. Focada mais no estereótipo do autista com altas habilidades matemáticas, a série traz bom divertimento, mas pouco conhecimento sobre o autismo real.
Vida Animada
Em fevereiro deste ano, a 89ª edição do Oscar trouxe o documentário Vida, Animada (Life, Animated - EUA/França, 1h29min), como um dos indicados na categoria Melhor Documentário em Longa-Metragem.
O filme, disponível na Netflix, não conquistou o prêmio, mas ajudou a trazer mais visibilidade para o tema Autismo. Contando a história de Owen Suskind, um menino autista que ficou sem falar por anos, e que aos poucos passou a se comunicar através dos conteúdos de filmes animados da Disney, o documentário emociona por vermos a família engajada na luta para se comunicar com ele e ajudá-lo a se tornar funcional.
Com cenas reais gravadas pelo pais quando ainda era criança a narrativa se mescla ao Owen já um jovem adulto, se preparando para se formar no Ensino Médio (High School), ir morar sozinho e trabalhar.
O documentário se baseia no livro Vida Animada: Uma História sobre Autismo, Heróis e Amizade, lançado este ano no Brasil pela editora Objetiva. O autor é o pai de Owen, Ron Suskind, jornalista americano famoso e premiado com um Pulitzer, um dos mais importantes do jornalismo americano.
A narrativa da experiência de sua família desde o diagnóstico até a idade adulta de Owen é tocante, inspiradora e tem uma escrita agradabilíssima. Vale a pena ler. E pra quem, assim como eu, sempre foi fã da Disney, tando das animações quanto dos quadrinhos, se torna ainda mais interessante.
Se eu queria ter um filho autista? Não. Deixaria de ter se a ciência permitisse saber do diagnóstico ainda na gestação? Sim. O que a convivência com ele me proporciona mais: prazer ou angústia? Angústia. Ainda assim, amo meu filho? Mais do que qualquer palavra pode traduzir.
Luiz Fernando Vianna, no livro Meu Menino Vadio.
“Meu Menino Vadio”
Tem sido comum encontrarmos livros de relatos de mães e pais de crianças com autismo sobre sua trajetória com essas pessoas especiais que muitas vezes transformam famílias inteiras.
No entanto, é claro que nem tudo é alegria e mudanças existenciais. O caminho é por vezes acidentado, cheio de dúvidas e sofrimento. Nem todos os familiares experienciam somente as alegrias de tem um filho “diferente”, e muitas vezes até se sentem culpados por não sentirem a exultação descrita por outros pais.
No livro Meu Menino Vadio (Intríseca) do jornalista Luiz Fernando Vianna encontramos um relato de uma sinceridade tocante. Muitas vezes descrevendo com um tom realístico que chega a causar incômodo, situações vividas por ele e seu filho com autismo, bem diferente dos relatos em geral românticos, de superação e redenção final. Nada contra estes, mas assim como cada autista é único, cada família experiencia a situação de modo distinto.
Um livro que causa desconforto, como causam todos os bons livros, que nos faz pensar em todas as transformações trazidas por essas pessoas especiais sobre as quais ainda estamos aprendendo acerca de seus mundos. E que nos ensinam constantemente também sobre nós mesmos.
Transtorno afeta 1 em cada 68 crianças. Em breve, uma tecnologia que ajuda na detecção precoce do transtorno estará disponível nos consultórios pediátricos
Link do site da Veja pra quem não conseguiu a revista da qual falei no post anterior.
Matéria sobre Autismo na revista VEJA
A despeito das diversas controvérsias entre meus colegas de ciências da saúde e ciências humanas acerca da parcialidade/imparcialidade da revista Veja em relação à política, fiquei feliz ao saber que a edição dessa semana trazia como matéria de capa o Autismo.
Fui ainda ontem (sábado) à uma banca da Praça Portugal (Fortaleza) ver se já havia chegado, mesmo sabendo que o dia normal de chegada à banca é hoje. Mas a viagem não foi totalmente perdida, coincidentemente o dono da banca é pai de um menino com autismo. Tivemos uma boa conversa, ele, Iara (que estava comigo e tem conexões pessoais e profissionais comigo e com o Autismo - ainda falarei muito dela por aqui) e eu. Aliás, Iara, obrigado por comprar a revista hoje cedo pra mim!
A matéria é bem curta, mas bem fundamentada no que se sabe (e no que ainda não se sabe) sobre o TEA. Todas as redes sociais de associações de pais e amigos de autistas têm repercutido a matéria, inclusive ontem mesmo já havia o PDF da matéria circulando pelos grupos do WhatsApp.
A matéria traz ainda mais visibilidade para o assunto, inclusive com pistas interessantes para pesquisas acadêmicas interessantes para mim (que ainda não posso comentar).
AT HOME ON THE SPECTRUM
Projeto 29 Acres, do qual falei no post anterior.
Revista Mente e Cérebro
Todos os meses cumpro o ritual de ir à Megastore Saraiva do Shopping Iguatemi pra comprar a revista Mente e Cérebro (E também a Psique) pra saber das atualizações nas áreas neuro e psi.
Nos últimos meses, a maioria dos números traz algo sobre Autismo. Na edição 289 há uma matéria sobre pesquisas genéticas em Saúde Mental, financiadas por comunidades religiosas (!) amish e menonitas nos EUA, que podem ajudar a entender e prevenir transtornos como autismo. Lembrando que essas comunidades vivem praticamente isoladas e com casamentos consanguíneos, que favorece transtornos mentais (o que seria uma linha a que eu utilizaria nas minhas pesquisas nos Kanindé de Aratuba, cujos matrimônios e constituições familiares são sempre circunscritas à comunidade).
No número 290, conhecemos o projeto 29 Acres em Dallas, no Texas, que pretende abrigar autistas adultos, previsto para inciar ainda este ano de 2017. A futura vida adulta é uma das preocupações constantes de pais de crianças autistas.
E essa preocupação também pode ser vista na edição 291, na matéria que fala sobre os desafios para jovens adultos autistas entrarem no mercado de trabalho. Projetos também nos EUA estão atendendo a esse público e ajudando-os a se preparar para o ingresso no mundo do trabalho, inclusive via Universidade.
A Escola Indígena Manoel Francisco dos Santos surge com a resistência do povo indígena Kanindé de Aratuba/CE, em perpetuar cultura e direitos elementares dentro de seu território. O trabalho escolar promove inclusão e capacitação digital, sem desatar raízes. Os conhecimentos experimentados, também integrados ao Museu e Memória Indígena Kanindé, são proporcionados aos alunos e também à comunidade.
Ainda sobre os Kanindé, importante parada no meu percurso acadêmico e profissional, descrito nos dois posts anteriores, um ótimo vídeo documentário do canal Futura sobre a escola Manoel Francisco dos Santos, onde estive para a pesquisa que estou desenvolvendo.
Foi uma ótima experiência pra mim, que me ajudou em minha prática profissional como psicólogo/neuropsicólogo e a refinar minha pesquisa.
Vale a pena assistir ao documentário.
Vista belíssima parcial do território dos Kanindé de Aratuba e fachada da Escola, dos quais falei no post anterior.
Rumos do Mestrado
Todos que já fizeram trabalhos acadêmicos, seja de graduação ou pós-graduação, sobretudo neste último, sabe o quanto muitas vezes mudamos os rumos inciais e o quanto temos dúvidas sobre o tema escolhido.
Tenho interesse pessoal e profissional nos chamados Transtornos do Neurodesenvolvimento. Nas últimas pesquisas e cursos acadêmicos tenho focado nessa área. Algum tempo atrás no TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade) e agora no TEA (Transtorno do Espectro Autista).
No mestrado atual, Interdisciplinar em Humanidades e na especialização em Saúde Mental estou focado no autismo. Porém, como disse, é comum as dúvidas sobre o caminho. Meu projeto inicial para a seleção desse segundo mestrado ainda foi sobre TDAH, mas como disse meu orientador, que também estava na banca de seleção, já falei demais sobre o tema, será que teria algo de novo?
Decidi então, como já andava querendo há algum tempo, partir para o TEA, diretamente relacionado ao TDAH e muitas vezes comorbidos. O tema interessa também pessoalmente, além de academicamente, ao meu orientador (Roberto Kennedy Franco - ainda não descobrimos se por acaso somos primos na família Franco).
Porém, por questões profissionais fiquei interessado em trabalhar os Transtornos do Neurodesenvolvimento em geral, não só o autismo, e como meu orientador está fazendo seu pós-doutorado em estudos indígenas pensei ser uma boa ideia pra empiria da minha pesquisa pesquisar no AEE (Atendimento Educacional Especializado para estudantes com deficiências) de uma escola indígena.
Estive então nos Kanindé de Aratuba, no Maciço de Baturité, que é próximo de Fortaleza. Fiquei encantado e fui extremamente bem recebido na escola. Foi uma experiência de crescimento pessoal, profissional e acadêmico. Porém, com minha carga de trabalho e acadêmica, seria inviável adicionar estudos indígenas ao meu trabalho, categoria que por si só é muito ampla e significaria que eu não teria pernas pra dar conta, como dizemos com frequência em trabalhos acadêmicos.
Conversei com meu orientador (ainda falarei muito dele por aqui) e resolvemos voltar ao TEA puro e suas questões sociais (explicarei melhor depois). Agradeço imensamente à diretora (Evania) e a professora do AEE (Daniela) da Escola Indígena Manoel Francisco dos Santos e ao Cacique Sotero pela receptividade, mas infelizmente não poderei continuar pesquisando lá, embora certamente queira voltar lá em breve.