Grupo de apoio
Depois da guerra, McGonagall começa um grupo de luto para os estudantes que lutaram, independente do lado. Moly força todos os filhos a irem (mas George se recusa) e todos os amigos do trio decidem ir em solidariedade.
Quando chegam dão de cara com Draco, que foi forçado a ir como parte da condicional imposta pelo Ministério da Magia, e ninguém fica feliz. A psicóloga que comanda o grupo cria um círculo de memórias onde ninguém precisa falar diretamente do trauma a não ser que queira, podendo só compartilhar memórias aleatórias com o grupo. Também tem um feitiço na sala que impede qualquer tipo de mentira. Leva um tempo mas eventualmente as pessoas começam a falar sobre a guerra.
O trio demora ainda mais pra falar, principalmente Harry, mas acabam cedendo. Enquanto isso, Draco continuava calado só ouvindo. Vendo que a terapia estava ajudando com o luto dos outros, George decide ir um dia e depois de ver o olhar vazio dele Draco decide falar pela primeira vez.
No começo parece uma história boba sobre como ele tem que aplicar vários feitiços no cabelo uma vez por mês para ficar 100% loiro já que ele é metade Black e a raiz do cabelo dele nasce preta e vira loiro nas pontas. Então ele explica que isso começou porque foi uma condição que Severus colocou para aceitar ser seu padrinho, tudo por causa de uma briga com a matriarca dos Black enquanto Narcisa ainda estava grávida. Harry, quando vê que ele ia parar por aí, pergunta a razão da briga e Draco conta que foi por causa de Regulus.
Ele e Severus eram amigos e Snape era o único que sabia que ele tinha morrido ao invés de fugir graças a um anel encantado que dizia se o outro estava bem que tinham já que viraram amigos quando se juntaram aos Comensais, e se ele falasse alguma coisa colocaria todos os Black em perigo (incluindo Narcisa, que estava grávida) já que ele havia morrido tentando derrotar Voldemort. Então quando em um evento na casa dos Black a matriarca começou a falar mal do filho (chamando de covarde e citando os motivos porque ele nunca seria um Black de verdade) Severus ficou bravo e rebateu tudo o que eles disse, então ela tentou cruciatus nele e ele rebateu, fazendo ela parar no hospital por uma semana inteira. Foi aí que ela ameaçou deserdar Narcisa se ela e Lucius não cortassem ligação com Severus e como nenhum dos dois gostam de ser ameaçados, Narcisa deu um jeito de calar ela e Lucius pediu Severus para ser padrinho de Draco, e daí veio o pedido envolvendo o cabelo: que eles fariam de tudo para que Draco parecesse mais um Malfoy do que um Black.
Draco conta também que quando ele nasceu e a matriarca veio visitar Severus fez questão de dizer que ele nunca pareceria com um Black até o dia em que a última pessoa carregando o nome da família morresse. A partir daí ele nunca perdeu uma chance de irritar a mulher, mesmo depois que ela morreu já que ele começou a irritar o quadro dela no lugar, e ele sempre usava cada coisa ruim que ela usou para dizer que Regulus não era um Black de verdade e convertia em elogios sobre como Draco era bom demais para ser um Black. Draco também diz que mesmo depois da "promessa" do padrinho ter sido cumprida, já que não existiam mais Blacks, ele continuava a enfeitiçar o cabelo porque era algo que o fazia se sentir próximo do padrinho já que era uma coisa só deles. E que depois da morte dele ele parou de fazer só uma vez por mês e começou a fazer sempre que sentia saudades. Tudo porque manter esse hábito era manter a memória dele viva já que mesmo antes de morrer ele tinha se afastado, tudo porque não tinha intenção de sair da guerra vivo e queria que Draco aprendesse a viver sem ele. E mesmo depois de meses da morte dele ele não conseguia deixar ele ir, se desapegar da única pessoa capaz de explicar a diferença entre certo e errado para ele era difícil demais.
Ele sabia que Severus não era uma boa pessoa em geral, mas ele também não era mau. Ele era o mesmo homem que sentava Draco em seu colo e penteava seus cabelos com todo cuidado do mundo enquanto encantava mecha por mecha pra ficar loira e que não exitava em corrigir quando achava que Draco tinha ido longe demais a ponto de poder machucar alguém. Ele termina com "Eu sei que é bobo, ridículo até, mas eu não consigo evitar. Então várias vezes por mês eu me sento em frente ao espelho e repito o mesmo processo que ele fazia, mesmo sabendo que eu fico ótimo com meu cabelo natural, só porque essa é a única forma que eu encontrei de ainda ter ele comigo. Eu não tô pronto pra deixar ele ir, não ainda, não quando ele é a única pessoa que eu achei que ia estar sempre do meu lado pra qualquer coisa."
Nesse ponto ele já estava com o rosto banhado em lágrimas e o silêncio tomou conta da sala. Até George começar a falar. "Eu entendo, quer dizer, não exatamente porque é diferente e eu não era o maior fã do seu padrinho. Mas Fred tinha essa mania de trocar os cadarços dos nossos sapatos, então a gente andava por aí com um cadarço diferente em cada pé. Eu odiava e a gente brigava o tempo todo por causa disso, mas ele sempre ganhava e, no final, ninguém percebia. Depois que ele morreu eu continuei a fazer a mesma coisa, quase que no automático já que a maioria dos nossos sapatos já estavam assim mesmo. Mas um dia eu fui comprar sapatos novos e não consegui me forçar a comprar só um par, então eu comprei dois com cadarços diferentes e troquei assim que cheguei em casa. O pior é que eu nem percebi que tinha comprado um dos pares no tamanho dele, ele sempre teve pés pequenos como de princesa então o outro par nunca caberia em mim. É infantil e não tem razão nenhuma pra eu ainda fazer isso, mas era uma das únicas coisas sobre nós dois que ninguém mais sabia. Era só nosso. Acho que, no fim das contas, eu também não consigo deixar a única pessoa que eu achei que ia estar sempre comigo ir…".
Depois dessa seção em particular as histórias começaram a evoluir, até mesmo as partes mais sombrias sobre a guerra sendo compartilhadas, e pouco a pouco cada um foi encontrando não uma cura, mas um jeito de seguir em frente.








