“São os olhos a lâmpada do corpo. Se os teus olhos forem bons, todo o teu corpo será luminoso; se, porém, os teus olhos forem maus, todo o teu corpo estará em trevas. Portanto, caso a luz que em ti há sejam trevas, que grandes trevas serão!” Mateus 6:22,23
O que Jesus quis dizer nesta passagem das Escrituras? Como é possível que a luz seja escuridão na alma de um ser humano? Você provavelmente se lembra das palavras de Deus, proferidas pelo profeta Isaías: “Ai dos que fazem das trevas luz e da luz trevas!” (Isaías 5:20). Este foi o julgamento do profeta contra o povo daquela época. Então, como Jesus pode estar afirmando, nesses versículos do Evangelho de Mateus, que a luz pode ser escuridão? O que ele quis dizer?
Na Bíblia, a luz carrega dois significados que são complementares. O primeiro encontra-se nos versículos introdutórios do Evangelho de João: “Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens”. Portanto, o primeiro significado de luz está associado à vida. E aqui podemos afirmar que significa a realidade da vida espiritual, e não apenas a vida orgânica, meramente biológica. O segundo significado de luz dentro do contexto bíblico relaciona-a à verdade. A luz é revelação. Então, trazendo esse fundamento para o contexto de Mateus 6, versículo 23, podemos parafraseá-lo da seguinte forma: se a revelação que houver em sua alma for, na verdade, uma mentira, se forem trevas, quão grandes serão tais trevas!
As trevas simbolizam a ignorância, a falta de conhecimento e também a morte. Assim, a pessoa que está no mundo, que não tem conhecimento de Deus e das verdades espirituais, encontra-se em um estado de trevas. Mas pior do que estar na obscuridade da ignorância é abraçar uma doutrina falsa, uma revelação falsa, e tomá-la como luz, como verdade. Porque, no caso dessa pessoa, as trevas de sua alma são muito mais profundas do que as trevas na alma daquele que permanece ignorante. Neste caso, transforma-se a escuridão em luz, o que explica o estado de engano espiritual. E é aí que surge a luz artificial, a luz negra.
E o que é falsa luz na Bíblia? Em Isaías, capítulo 14, somos apresentados ao relato da queda de um anjo:
“Como você caiu do céu, estrela da manhã, filho da alvorada! Você foi lançado por terra, você que subjugava as nações! Você dizia em seu coração: 'Subirei aos céus; acima das estrelas de Deus exaltarei o meu trono; no monte da assembleia me assentarei; subirei acima das mais altas nuvens; serei semelhante ao Altíssimo.' Mas você foi precipitado para o Sheol, para o mais profundo abismo.” Isaías 14:12,15
O profeta está falando de Lúcifer e o chama de estrela da manhã. Mas o que é a estrela da manhã? Todos os dias, ao amanhecer, uma estrela, um corpo celeste, aparece no céu: o sol! Portanto, o título de estrela da manhã retrata o estado original do anjo como um ser de luz, um filho da aurora, um filho do amanhecer, que foi lançado nas profundezas do inferno, tendo sua natureza corrompida e degradada em trevas.
Ele era um filho da luz. Ele estava entre os anjos de Deus, na presença de Deus, que é luz. Cristo é a luz do mundo, a verdadeira luz. Mas a Bíblia nos informa que Satanás caiu do céu como uma estrela. Portanto, ele não é mais um filho da luz. Agora, ele representa uma falsa luz. Ele é responsável por criar o que o apóstolo Paulo chamou de doutrinas enganosas, doutrinas de demônios, que consistem em ensinamentos e religiões falsas que levam o homem a crer que existe salvação fora de Cristo.
Na segunda carta aos Coríntios, capítulo 11, o apóstolo Paulo vai ainda mais longe, ao declarar que:
“E não é maravilha, porque o próprio Satanás se transfigura em anjo de luz. Não é muito, pois, que os seus ministros se transfigurem em ministros da justiça; o fim dos quais será conforme as suas obras.” 2 Coríntios 11:14,15
Paulo diz que Satanás tem a capacidade de se transformar num anjo de luz! Ele estava no lugar santo, era chamado de filho da manhã, filho da verdadeira Luz, e é por isso que ele pode assumir o disfarce de um anjo benevolente, um anjo santo, como se ainda fosse um ministro de Deus. É assim que ele promove o engano espiritual entre os homens, levando-os a crer que estão testemunhando uma revelação da parte de Deus. Nunca a frase “as aparências enganam” pareceu tão apropriada!
Se eu tivesse que descrever o propósito do Maligno no mundo por meio de uma comparação, recorreria ao fenômeno astronômico do eclipse, que ocorre quando um corpo celeste bloqueia a luz de outro. É assim que a luz negra opera: ela vem para tentar derrotar a verdadeira Luz, mas a Palavra de Deus nos diz que as trevas não podem prevalecer sobre a glória de Cristo.
O Senhor nos advertiu: se a luz dentro de vocês forem trevas, quão grandes serão essas trevas! Tão profundo será o engano de sua alma que vocês não estarão mais meramente na ignorância, no desconhecimento. Pois as Escrituras declaram, a respeito da vinda de Cristo a esta terra, que: “O povo que jazia em trevas viu grande luz, e aos que viviam na região e sombra da morte resplandeceu-lhes a luz” (Mateus 4:16).
Cristo é a luz que ilumina aqueles que estão nas trevas, aqueles que estão na região da sombra da morte. Mas existe uma luz falsa. Essa é a luz negra. Essa é a luz recebida por aqueles que rejeitam Cristo para abraçar outra revelação, para aceitar outro meio de salvação fora do Filho de Deus. Alguns acabam propondo um meio de salvação através das obras, através da caridade, como os espíritas, que dizem que fora da caridade não há salvação, o que é uma mentira. Você pode praticar a caridade a vida inteira e, no fim, ir para o inferno porque abraçou uma revelação falsa. A Bíblia diz que sem derramamento de sangue não há remissão de pecados. A caridade é uma virtude cristã, é uma prática que agrada a Deus, mas não pode purificar a sua alma, não pode lavá-lo dos seus pecados. Não pode expiar as suas transgressões e iniquidades. Uma pessoa pode realizar obras maravilhosas ao longo da vida, socorrendo órfãos, amparando viúvas, abrigando os pobres, mas, por não se arrepender dos seus pecados e não reconhecer a justiça de Deus em Cristo, preferindo estabelecer a sua própria justiça, não receberá a remissão dos pecados. Não será purificada. Permanecerá em estado de impureza espiritual, mesmo que aos olhos dos homens possa parecer um santo, digno de canonização, como uma criatura quase angelical, com tantas boas obras realizadas, tantas ações nobres feitas em benefício dos outros! Mesmo assim, aos olhos de Deus, tal alma permanece em estado de impureza espiritual. Porque só o sangue pode nos lavar dos nossos pecados. Só pelo sacrifício de Jesus uma alma pode ser redimida.
O Senhor disse: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vem ao Pai senão por mim” (João 14:6). Mas alguns rejeitam as palavras de Cristo como a revelação da vontade divina, preferindo reduzi-lo ao status de apenas mais um profeta, equiparando-o a um filósofo ou a um guru à semelhança de Buda ou Gandhi.
Se você não reconhece Jesus como Filho de Deus, como o único Salvador do mundo, então você negou a luz da verdade e abraçou uma falsa luz, uma luz negra. Seu messias será apenas um agente do diabo, disfarçado de ministro da justiça, falando sobre a necessidade de amar e praticar obras de caridade, mas nunca o chamando ao arrependimento dos pecados e à fé no Filho de Deus. Dentro da sua alma, essa falsa revelação, esse engano espiritual, se transformará em profundas trevas, em uma escuridão infernal. Não será a escuridão da região da sombra da morte, a região da ignorância e da morte espiritual, porque essa escuridão, como as Escrituras afirmam, é aquela sobre a qual resplandece a luz da glória de Cristo. Esta é a escuridão da qual o Filho de Deus veio salvar os homens. Mas a luz que é trevas, a luz negra, é aquela que entenebrece o corpo inteiro, que obscurece a alma e veda os olhos espirituais para a verdade. Esta é a escuridão da condenação eterna, porque é aquela que, mesmo diante da presença de Cristo, renega a luz da verdade. Essa é a escuridão que recusa a verdade do Evangelho para abraçar uma doutrina alternativa, uma revelação alternativa, que propõe uma forma de justiça fora de Cristo, uma justiça que não é aquela consumada na cruz, sobre a qual o Santo de Deus bradou: “Está consumado”.
“E a condenação é esta: Que a luz veio ao mundo, e os homens amaram mais as trevas do que a luz, porque as suas obras eram más.” João 3:19,20
Se a luz dentro de você forem trevas, você estará cego para a glória de Jesus, cego para a sua luz, para o seu santo esplendor. É por isso que o Mestre advertiu: “Se os teus olhos forem maus, todo o teu corpo será tenebroso”. Mesmo que o próprio Cristo aparecesse diante de você em toda a sua resplandecente magnificência, se os seus olhos fossem maus, você estaria cego para ele, incapaz de compreender a sua luz. Esta é uma forma de cegueira que rejeita o toque curador de Jesus. Não é como a cegueira de Bartimeu, filho de Timeu, que clamou: “Filho de Davi, tem misericórdia de mim!”. Para essa cegueira, Jesus está disposto a estender mãos amorosas, cheias de poder divino, capazes de remover as escamas dos olhos. Para com essa cegueira, o Filho de Deus demonstra compaixão.
O Senhor disse: “Eu vim a este mundo para juízo, a fim de que os que não veem vejam, e os que veem se tornem cegos” (João 9:39). Os fariseus, ouvindo tais palavras, perguntaram ao Senhor: “Acaso, o senhor está insinuando que nós não vemos? Está insinuando que não compreendemos as coisas de Deus, que não temos entendimento das verdades espirituais?” Mas Jesus respondeu-lhes: “Se fôsseis cegos”, ou seja, se fôsseis ignorantes, “não teríeis pecado algum; mas, porque agora dizeis: Nós vemos, subsiste o vosso pecado”.
Por que seu pecado permanece? Porque você transforma sua escuridão em luz. Porque, sendo cego, você não clama pela misericórdia do Senhor, mas presume enxergar bem. É por isso que Cristo não pode iluminá-lo — não porque falte luz e revelação nele — mas porque você assume que sua escuridão é luz, que é a verdade. Você considera sua cegueira visão, e faz das sombras a sua iluminação; e é por isso que, dentro de você, essa falsa luz, essa luz negra, se transforma em profundas trevas.













