Céu
Eu desisto do amor de uma vez por todas. Não aguento mais me lastimar, viver em busca do amor da minha vida. Tudo que mais quis a vida inteira, tudo que eu sempre sonhei era viver um amor puro, e ele... Não existe. O amor puro, verdadeiro e ingênuo não existe e todo esse tempo fui tola de acreditar que ele existiria.
A esperança se foi, o brilho do meu olhar se foi junto às minhas lágrimas. A paixão não correspondida, a maldade proposital, a mentira, o egoísmo, é só disso que o ser humano é composto. Temi a vida toda o amargor da vida, pensei que o amor fosse doce o tempo todo. Mas a verdade é uma só: o amor é uma mentira, assim como as palavras. Toda história de amor que passei milhares de horas assistindo, ouvindo, lendo, não passam de imaginação, não passam de um desejo não correspondido, um sonho que nunca será alcançado. Eu sempre acreditei ser merecedora do amor mais puro, mas agora nem sei mais se ele existe nas pessoas, e muito menos o que eu mereço a partir de hoje. Inúmeras noites que passei minutos orando pra Deus não me colocar em sofrimento em relação ao amor, minhas súplicas foram em vão. Eu preciso abster do meu sonho. E se for ver, de uns anos pra cá, já havia notado algumas mudanças: meu gênero favorito de filme passou de romance para ficção; minhas músicas favoritas não são mais românticas; eu oculto todo tipo de insinuação amorosa das redes sociais, e inclusive me sinto infeliz ao lado de casais. Todo mundo tem alguém que faça tudo por elas, e tudo que eu recebo é culpa, é pedir demais, é ser apontada, é ser aquela que nunca vai ter suas expectativas atentidas. Não lembro mais um dia que eu não tenha chorado, a vida não faz mais sentido como fazia antes. Era bom viver quando eu tinha uma motivação, e agora, aceitando que não vou alcançar, começa a doer... Como dói dentro do meu peito ter que reivindicar tudo aquilo que passei anos acreditando, como dói. É como se tivesse uma mão invisível se adentrando no meu peito e arrancando meu coração, apertando ele, apertando, apertando, apertando, até ficar sem pulsação. Eu desisto. Desisto de tudo. A dor de aceitar que não devo ser merecedora de receber em reciprocidade um sentimento puro, é latejante.
E o pior de tudo isso é ainda acreditar que ele existe, porque aqui dentro, tem tanta pureza, tanta inocência sobre o amor. Eu tenho o amor puro. Eu amo com fervor, eu entrego minha vida. Eu não estou no lugar certo, eu não deveria estar vivendo em um mundo tão cruel assim. Sem a pureza eu me sinto tão incompleta. Eu não quero viver nesse plano. Eu quero me libertar de todo sentimento ruim que eu fui submetida em troca de um sentimento de falso amor, em vão. Ninguém sabe amar. Ninguém conheceu o amor puro. Me pergunto porque eu sou a única que tem tanta sede em ter um sentimento ingênuo. Eu queria sentir tanto, mas tanto, tanto amor, a ponto de me trazer uma paz indescritível. Eu não quero depender de substâncias pra ter uma mínima sensação de paz. Eu quero acordar em um dia qualquer, com o amor do meu lado, totalmente sã e dizer: "como eu estou feliz e em paz ao estar do seu lado, ser querido e abençoado, que me faz ter tanta gratidão por viver; obrigada por escolher estar comigo todas as vezes, e eu, independente de tudo, prometo que será eu e você para sempre."
Essas também seriam minhas últimas palavras no meu último dia na terra. Eu quero ir para o céu com você, isso é o amor puro, eu quero viver a vida do seu lado, eu e você, até o fim.
Mas isso é só minha imaginação pregando peças em mim.
— anteriormente com amor, Gisele Bello.















