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Voltei aqui porque é o app que eu realmente não tenho nenhuma visita então posso simplesmente falar minhas fantasias e reclamar da vida, além de postar fotos que eu não colocaria em nenhum outro lugar.
Eu não suporto quando as pessoas ficam agindo como se eu tivesse feito alguma coisa de errado, sendo que eu fui a única que fiz o certo.
Fica praticamente impossível manter o disfarce quando eu me sinto abusada. Sou bruta, realmente sou, mas eu não faço isso de graça, eu nunca vou te tratar mal se você me tratar com respeito. Ser da enfermagem foi de longe a pior decisão que eu tomei na vida, já é insuportável não ser valorizada de jeito nenhum, por ninguém, mas quando fazem piada de mim, quando você é um inútil e faz piada de mim, eu não consigo aguentar! “As pérolas da Heloisa”… hahaha, Pérola e correr pra um paciente precisando de ajuda e chegar lá e fazer absolutamente nada! Alou, sua presença não é milagrosa!! Pérola é você ser a porra do enfermeiro do setor e não saber como lidar com um paciente que passou mal quando viu sangue! Pérola é você ver todo mundo ocupado e ainda assim, não saber tomar nenhuma atitude. Pérola é você ficar pedindo pra outras pessoas fazerem a merda do seu trabalho.
Pergunte a quem as crianças que eu odeio se apegaram e agradeceram. Perguntem a quem os pacientes agradecem depois de conseguirem caminhar até o banheiro.
Eu escolhi a função que todos odeiam, eu que fico o tempo todo em contato com os pacientes, eu, sempre eu. E se algo da errado, sou eu de novo. Inacreditável.
Bohemian Rhapsody é, em partes, a história que eu vivo hoje.
Eu passei muito tempo da minha vida tentando entender o que eu sou, sinto, quero... Eu passei muito tempo tentando entender a minha própria existência. E eu lembro de quando ouvi que Bohemian Rhapsody é na verdade a história de Freddie Mercury aceitando a grande bicha gostosa que ele era, e vencendo os preconceitos da sociedade.
“Mama, just killed a man
Put a gun against his head
Pulled my trigger, now he's dead”
Tudo bem, eu não sou uma bicha gostosa, ou uma sapatão caminhoneira… eu não sou nada disso. Mas eu compartilho de todo o sentimento contido nessa música, porque mais do que tudo eu sinto que matei uma parte de mim. Eu matei uma parte de mim, e agora tenho que encarar as consequências desse assassinato.
Porque eu vivi uma vida inteira com essa parte de mim morta, pra que outras pessoas a minha volta ficassem vivas, porém essas pessoas que eu quis salvar foram assassinadas também (o mesmo princípio de assassinato da música do Queen). E agora eu vivo em uma casca vazia, aliás, ocupada com a real persona que deveria ter sido morta no meu momento de descoberta mas…
“Easy come, easy go
Will you let me go?”
Eu não sei como deixar esse eu falso, essa persona vazia, ir embora. Eu realmente sinto que matei uma parte de mim, e a que ficou foi deixada pra trás… para morrer.
Mas eu não consigo deixar ela ir…
EU ODEIO CRIANÇAS.
Mas não, não é por causa das birras, por causa da teimosia, pelo mal comportamento… não. Não é por nenhum motivo que normalmente as pessoas usam como desculpas pra não quererem estar perto de crianças.
Na verdade, eu tenho inveja delas.
Se uma criança é malvada, tudo bem, é só uma criança.
Se uma criança que comer alguma coisa, vamos dar, é só uma criança.
Se uma criança está chorando aparentemente por nada, vamos só consolar e tentar acalmar, é só uma criança.
Está sentada de pernas abertas, tudo bem, é só uma criança.
Está vestindo roupas estranhas, ou embaraçosas, mas tudo bem, é só uma criança.
Crianças podem tudo. As pessoas sempre vão sentir dó, sempre vão achá-las bonitinhas, sempre vão querer agradá-las por mais que elas sejam insuportáveis.
Além da inveja desse fator externo, eu invejo também o fator interno, pessoal, de cada criança: a inocência.
Crianças são inocentes. Elas não sabem o que é responsabilidade, elas não sabem o que é decepção, não sabem o que é a dor de estar por conta própria.
EU INVEJO CRIANÇAS.
Chegamos em junho, o mês do #orgulho.
Faz muito tempo que eu questiono quem eu sou.
Sou hétero? Sou lésbica? Sou mulher cis? Sou homem trans? Como eu me vejo? Como eu me sinto? Do que eu gosto? O que me atrai? Como eu quero me expressar? O que eu vejo quando me olho no espelho? O que eu quero vestir? Como eu me sinto bem?
Eu nunca consigo chegar numa resposta.
E fico louca tentando achar o motivo. Também não acho um.
Eu olho pra fotos como essas, e me pergunto como eu podia estar me sentindo nas duas, e porque eu não consigo ser assim o tempo todo.
A sensação de estar à vontade consigo mesma, estar tranquila com o que está vestindo, com o próprio cabelo e com o que sente por dentro.
Eu entendi hoje, depois de observar as fotos… eu me senti bem nas duas porque estava sozinha, trancada no quarto. Sem os olhos da sociedade me vigiando.
A primeira foto é de 2021, eu tinha saído do antigo trabalho onde as pessoas me criticavam o tempo todo, como se por ser jovem eu estivesse destinada a dar errado. A segunda foto é de abril desse ano (2023), eu pensei que a essa altura já seria mais resolvida, teria menos medo de me expressar. Mas eu vejo todos os dias pessoas que estão em transição de gênero e me sinto agredida pela forma como as pessoas a minha volta reagem a elas.
Desde explicar o motivo de a palavra traveco ser ofensivas receber piadas em resposta, Desde ouvir alguém que precisou fazer mastectomia por doença criticando pessoas trans que retiram as mamas, até ouvir como “é linda a narrativa de um homem gay que reprimiu a própria sexualidade pra ser aceito pela igreja e por Deus”. Desde ver a história de amor da minha colega, até ouvir todos os dias as pessoas me perguntando quando será a minha vez. Cuidar de crianças, e ouvir que eu só não quero ter filhos porque não achei a pessoa certa, aliás, o homem certo pra ser pai junto comigo.
Eu me sinto agredida, e agora tenho medo até de cortar o cabelo. Vejo pessoas que aceitam e expressam a própria sexualidade sem medo, e sinto raiva porque eu não consigo nem mesmo me entender, sinto inveja por não ter a coragem nem mesmo de cortar o cabelo do jeito que eu gostaria…
Quando eu estou sozinha, seja com cabelo curto ou longo, seja vestindo roupas largas ou que marcam o corpo… eu consigo me olhar no espelho e dizer “sou queer, sou uma pessoa não-binária e assexual.” Mas por que eu não consigo sentir orgulho disso ao ponto de falar pra outras pessoas?
Eu fico impressionada com a minha capacidade de conter a minha língua as vezes…
Tudo bem que ultimamente eu tenho deixado escapar algumas falas que eu normalmente não deixaria ninguém sequer saber que eu pensei… mas felizmente tudo isso é disfarçado pela minha personalidade piadista.
Mas as vezes é tanto absurdo eu escuto, é tanta gente cagando pela boca que eu penso: será se eu não devia dizer pra ela que isso é burrice?
Mas mesmo assim eu me contenho. Porque infelizmente não é todo mundo que tem o dom do altruísmo, de se colocar no lugar dos outros. Até porque é bem simples saber se o que você vai dizer é danoso para outras pessoas ou não: é só pensar “se fosse eu nessa situação, será que eu gostaria de ouvir isso?”
É incrível como a cada dia que passa eu me sinto mais sozinha
Minha vida…
Eu não sei descrever o surto que dei hoje. Implorei a Deus e clamei ao diabo. Chorei sentindo falta de coisas que nunca tive, de sonhos que sonhei acordada e ilusões que alimentei na infância mas destruí na vida adulta.
Eu gritei que queria morrer, e me arrependi de ter me agarrado tanto a vida nos últimos anos. Eu não lembro quando foi meu último dia bom, eu só me lembro de estar no inferno desde que eu nasci.
As coisas que eu prendi no meu coração extravasaram finalmente, extravasaram e eu sozinha juntei tudo. Catei cada pedaço escapado da minha dor e coloquei todos de novo no mesmo lugar; fechei o buraco no meu peito com a certeza de que eu sempre vou ser solitária.
Uma merda, a minha vida…
E eu sem acreditar que posso dizer isso
Levantei a cabeça enquanto as lágrimas caíam
Sorri sem acreditar que meus dentes apareciam
Encarei o meu reflexo na poça que meu olhos criaram
E disse com certeza: uma merda, a minha vida. E eu mereço.
A vida tem ficado insuportável ultimamente, e a culpa é minha.
Minha mãe foi embora, relutante em abandonar uma vida de merda, com medo de que eu e minhas irmãs sentíssemos raiva, mas ela foi. Porque eu disse “vá, eu vou continuar te amando.”
Minha irmã do meio foi embora, sem nem sequer olhar pra quem estava deixando e eu comemorei quando ela foi, e recusei o convite pra ir ter morada com ela. Eu disse “vá, e não se importe com o que nunca se importou”.
Minha irmã mais velha hoje concluiu também a sua mudança, foi embora levando junto de si todos os sonhos que eu imaginei que nossa família viveria junta, ela foi sem querer ter ido, sem querer ter me deixado, disse com todas as letras que tinha pena de mim… mas ela foi. Porque eu disse “vá, ou então você vai ser aprisionada pra sempre nessa vida de merda.”
Eu chorei em silêncio quando cada uma delas foi. Hoje sei que vou chorar a noite outra vez, sem ânimo pra seguir em frente. Sem determinação pra me reerguer, cheias de obrigações que eu não queria ter e talvez não consiga honrar.
O que todas elas deixaram foi meu pai, que eu odeio.
Meu pai que usurpou os sonhos da minha mãe.
Meu pai que atentou contra a liberdade da minha irmã mais velha.
Meu pai que despresou a vida da minha irmã do meio.
Meu pai alcoólatra que eu odeio.
Meu pai desumano que eu odeio.
Meu pai sem honra que eu odeio.
Eu não quero desistir, não vou desistir EU VOU RESISTIR, em nome de todos que foram aprisionados por um sistema familiar machista, sexista. Eu vou RESISTIR.
É incrível como tudo sempre acaba sendo sobre o outro.
Não é de hoje que as pessoas sempre minam o seu sofrimento, as suas dificuldades, alegando que os empecilhos da vida dele são igualmente ruins, ou piores. Ninguém sabe sobre a sua vida, ninguém sabe sobre seu convívio familiar ou no trabalho, ou sobre seus relacionamentos, até porque nada disso é tão ruim que mereça ser mencionando.
Por que eu tô dizendo isso?
Porque sempre que alguém quer falar sobre um problema comigo eu ouço. Se eu puder ajudar dizendo alguma coisa, eu digo se não eu só OUÇO. Eu não sobreponho minhas questões sobre o que está sendo compartilhado comigo. Porque quando alguém conta alguma coisa não é porque quer iniciar uma competição sobre quem tem a vida mais triste, mas porque ela precisa que alguém receba aquele sentimento e acolha.
Nos últimos dias eu tenho tentado ser acolhida, mas só consegui colocar pra fora o que eu tava sentido quando assistir um episódio triste de série.
Pessoal, é tão difícil assim só ouvir? É tão difícil dizer “eu entendo” sem adicionar um “aconteceu comigo só que de outro jeito” depois?
E eu ainda tenho que ouvir algumas pessoas dizendo que eu sou muito fria, deveria me abrir mais, conversar mais com as pessoas. Não dá, se você só que falar sobre si mesmo!
“Não fico feliz se você não está feliz E eu juro que voce esta sempre triste Você não fica feliz se eu não estiver feliz E eu juro que estou sempre triste”
Eu de Orla Gartland nessa música falando comigo mesma
Música: codependency
Tá bom, vamos falar sobre
Top Gun Maverick
Acho que o fato de ser homens lidando com questões emocionais contribuiu muito para que esse filme fosse tão bom. Existe uma responsabilidade emocional que quase não se vê em filmes com homens machões como protagonistas. Claro, masculinidade e testosterona em litros era o mínimo esperado, mas isso tá longe de atrapalhar a experiência de quem foi ver o filme. Os 96% de aprovação da crítica são muito merecidos!
Não importa quanto você pague em um ingresso de cinema, vai valer a pena gastar pra ver Top Gun Maverick. ❤️🔥
🫥Do dia que fui assistir Multiverso da Loucura com a minha irmã.🫥
Achei esse filme um retrocesso no desenvolvimento da Wanda, o peso emocional que a gente sentiu em WandaVision, toda a fragilidade psicológica dela foi usada aqui de uma maneira muito irresponsável. E a atenção que deveria ter sido dada ao final do relacionamento do Strange com a Cristine foi praticamente zero. A única coisa que salvou foi a direção do Sam Raimi que conseguiu construir muito bem a atmosfera de terror que o filme prometeu. Enfim, multiverso da loucura, loucura, loucura.
Eu tinha uma webnamorada. Ela me deixou dizendo que a nossa relação tinha “chegado no tanto faz”. Uns dias depois ela me mandou mensagem dizendo “não é como se fôssemos estranhas, se você quiser manter contato ou conversar eu tô aqui”. Eu ignorei. Não perguntei o motivo, não pedi pra ela repensar nosso término nem nada assim. Eu gosto dela, eu queria estar com ela, mas um relacionamento da muito trabalho. Você PRECISA dar atenção a pessoa, ou então ela vai achar que “tanto faz” ficar ou não com você. Eu sei que não tenho capacidade pra manter um relacionamento, e mesmo que eu seja incapaz de apagar o contato dela ou de deixar de chegar o Instagram dela todo dia, eu sei que o melhor é deixar tudo do jeito que tá.