Tão jovem como antes
Eterna como o sol
Ainda uma pequena camada
Do que previram os sábios
O torto trono
Retorcido e camuflado
Em teu corpo pele ouro
Amanhecido de sete dias
Antevejo a queda
Celebro o lobo
Ilustro a fome
Cuspo a dissimulação
O inferno e o outro
O homem-narrador
Ama e amaldiçoa
Quem não o afaga de volta
Me vista com teus panos
Me dita os heróis e os favores
Me venda e nomeie a tua cantiga de roda
Me entorpeça com qualquer sentimento sintético
Baile de máscaras, e todos os teus convidados
São invenções, ausências e demandas
Eu como único expectador expecto meu desconforto
Tudo bem, eu hei de ser uma das muitas porções do banquete
Sacuda as rebarbas da bata
E vejas quantos esqueletos
Que de lá escorrem
Todos desumanizados e sem nome
Prevês, pois o fez
Amara, pois o amamentara
Odeia, pois a ameaçará
Sorri, pois ilude mais um...