Os poetas são os mais sábios, sabem que o mundo exterior na verdade é o mundo interior.
- Contargo Calligares
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Os poetas são os mais sábios, sabem que o mundo exterior na verdade é o mundo interior.
- Contargo Calligares
A tempos eu não vejo uma chuva de granizo. Saudades, mas do jeito que o mundo está esquentando, não teremos mais chuvas.
tem seu nome no meu bloco de notas
Será que você também me vê à distância, assim como eu te vejo? Será que você também me enxerga bem de perto quando me olha? Será que quando não me vê, também se pergunta por onde eu ando? Parece loucura, eu sei. Tem sido. Mas será que você também pensa nisso? Também se questiona o por quê dessa sintonia, que acontece de forma tão natural que nos escapa? Que não brotou do nada, mas que nasceu e cresceu, que a gente construiu, dia após dia, sorriso após sorriso, desejo após desejo. Eu te busco e desisto de você todo santo dia. De longe, eu te odeio, mas quando chego perto eu perco as forças. Quando você olha pra mim, eu perco um pouco daquilo que me sustenta, da máscara que uso, da fantasia que me cobre. Eu não sei de onde isso veio, mas sei exatamente pra onde isso me puxa. Me puxa pra perto de você, para as piadas bobas e sem graça, mas que fazemos questão de dar risada, numa cumplicidade que brota ali, enquanto a gente se olha. É um empurra e puxa sem fim. Você inventa um assunto do nada só para ter do que falar. Eu finjo que me interesso e ainda acrescento alguma coisa, mesmo sem acreditar de verdade no que estou dizendo. Você ri, diz que concorda comigo e eu me calo, fico alguns segundos te fitando. Você percebe e não se incomoda com isso, você até gosta. Esse joguinho virou rotina há um bom tempo. Tempo suficiente para os outros perceberem, tempo suficiente para notarem os meus olhos brilhando ao te ouvir, tempo suficiente para verem você tentando disfarçar. Tempo suficiente também pra eu me cansar desse chove e não molha, que por diversas vezes foi fofo, foi gostoso, mas que até aqui não levou a nada. Eu até tentei transpor essa barreira que você cria. Eu, que mesmo envergonhado e inseguro, decidi enfrentar meus medos pra encarar você. Mas você não cede, você não admite essa coisa sem nome que existe entre nós dois. Essa coisa desproporcional, que existe, tem forma e consciência, mas que eu não sei como chamar, não consigo mensurar. É uma química estranha, um flerte velado, uma energia que emana de você pra mim e vice-versa. São coisas tão sutis, que por vezes tentei fingir que não eram importantes, até que não consegui mais. Não consegui mais manter a respiração calma, nem disfarçar os impulsos que meu corpo tem quando estou do seu lado. Não consegui disfarçar o meu interesse compromissado em cada coisa que você fala. Eu me soltei, me entreguei de vez, sem me importar se estou sendo juvenil diante de todos. Eu já me entrego aos devaneios quando ninguém está vendo, e não sou capaz conter o sorriso tímido só de lembrar de você. Eu entreguei totalmente os pontos. E mais uma vez você notou. Você sempre nota. Você sempre capta muito bem os meus sinais. Eu nunca duvidei disso. Eles sempre chegaram muito bem até você, e você é tão atento quanto eu, não os deixa escapar. Mas por algum motivo, você demora para digerir isso. E só um tempo depois você também entrega os pontos, fica a vontade. Nesses instantes, você vai além, demonstra um interesse maior, pergunta sobre minha vida, faz algum desabafo. Lembro claramente do dia em que você se distraiu totalmente do que estava fazendo e ficou ali olhando pra mim e rindo de alguma besteira que eu falei. Aqueles segundos pareceram horas. Foi tempo suficiente pra eu gravar a visão de você na minha mente como uma fotografia, ou melhor, como um print, que de vez em quando eu procuro na galeria da memória pra ficar olhando. Depois que você passou a ficar mais leve, se tornou ainda mais gostoso te ver. Você passa, sorri de longe, se aproxima, me cutuca e voltamos para o início novamente. Eu não sei qual a sua intenção, não sei nem mais qual é a minha, por que eu descobri que seja lá qual for esse jogo que a gente joga de forma tão descompromissada, eu gosto disso. Eu gosto desse jogo e gosto de jogar ele com você. Eu gosto que seja você, pois parte de mim admira os detalhes seus que anotei no meu bloco de notas. As características que te difere dos demais, os traços que vão muito além da aparência, mas que atravessam sua personalidade e vão até o seu jeito de andar, de falar. E nesse jogo, eu decidi não mais perder, pois enquanto ele durar, eu estou ganhando.
um caderno por vez, um caderno de tudo
tenho recebido dúvidas sobre meu #cadernodetudo então decidi fazer esse post. não tem dificuldade: é UM SÓ caderno, que você vai usar ATÉ O FIM e vai anotar absolutamente tudo (ou quase tudo) que você precisar anotar.
você vai criando a sua biblioteca de si
nos meus cadernos de tudo, por exemplo, tem acompanhamento de hábitos, leituras, metas, planejamento semanal, entradas de "diário", grandes marcos/feitos, diagrama lunar, listas, tarefas, notas rápidas - só para citar alguns trechos. é uma MISCELÂNEA de tudo que é IMPORTANTE PARA VOCÊ.
portanto, não tem modelo, não tem regras. é uma mistura de bullet journal, commonplace book, diário, agenda, bloco de notas, planner e o que mais você precisar registrar à mão. é um hábito, que a gente vai aprimorando hoje e sempre.
a minha primeira ideia para fazer esse tipo de caderno foi uma tradução livre do termo #commonplacebook, que pode ser "caderno de lugar comum", mas que para mim faz sentido ser "caderno de tudo". no entanto, a ideia inicial por trás dos commonplace books seria um caderno de ideias, de trechos, de referências.
minha proposta de caderno de tudo vai além da ideia do commonplace book. é você ter um amigo sincero, aberto, sempre ao seu lado, para os dias ruins ou dias bons, incertos ou planejados. é você ter que escrever algo e não ter que ficar procurando onde anotar. é você precisar de alguma anotação e não ficar procurando onde colocou: tá tudo lá, no seu caderno de tudo.
o que não pode faltar nesse caderno:
data - uma vez que não há divisões entre assuntos, você vai se localizar pelas entradas cronológicas e também pela
numeração de páginas & índice: duplinha infalível, que não vai nunca te deixar na mão e que vai facilitar a rápida localização de qualquer entrada escrita -- obviamente se você fizer um bom trabalho de indexação
você pode estar achando muito parecido com o #bulletjournal e é. quando o Ryder Carroll fala sobre "registrar o passado, organizar o presente e planejar o futuro" eu interpreto exatamente como caderno de tudo. não sei se você que tá lendo por aqui tem facilidade com esses termos e método. dá uma olhada aqui pra ver de qual livro estou falando.
inclusive sou tão inspirada por ele que a entrada do meu mês de novembro são os símbolos-chave do bullet journal, numa óbvia inspiração da contracapa do livro original, além das conversas online que estão acontecendo no YouTube do cadernonarrativa e que você pode acompanhar nessa playlist aqui.
mas é isso: o conceito está organicamente em desenvolvimento, assim como esse post. volte sempre que quiser porque já pode ter novas atualizações.
Eu antigamente achava que a solução da minha vida seria eu ser uma pessoa totalmente fria e que não amava simplesmente nada, porém eu percebi que eu não iria conseguir ser assim. Sou aquele tipo de pessoa que é totalmente intensa e que transborda sentimentos por todos os lados; uma batalha infinita iria existir no meu interior. Muitas pessoas amargas passaram pela minha vida, acho que foi isso que me infectou um pouco. Elas ganhavam minha confiança, faziam eu me sentir no topo e depois me tratavam como uma qualquer, como se eu nunca tivesse uma intimidade com elas. Isso me despedaçava. Então eu comecei a achar que a solução seria eu parar de ser eu. Que eu não deveria tentar ter relacionamentos com mais ninguém e deveria guardar meus sentimentos em um armário e nunca mais tira-los de lá, mas eu não poderia fazer isso. Eu iria deixar de conhecer pessoas maravilhosas. Iria afastar pessoas importantes e perder momentos brilhantes por causa de alguns idiotas. Eu iria ser amarga que nem eles e isso eu não quero nunca na minha vida. Então eu apenas parei de achar que o problema era sempre eu. Parei de me culpar por alguém que não ligava para mim. O erro não era meu por dar muito amor, eles que nunca quiseram receber esse sentimento. Ter sentimentos nunca foi pecado, é puramente humano. Gente, é normal. Então agora é assim, se a pessoa não quer receber eu apenas não dou. Pode ser difícil, porém não vale a pena se desgastar por qualquer um. Então por favor, nunca pare de ser você por causa de uma pessoa que não quer o seu amor. O mundo já está cheio de pessoas amargas, não vire uma delas. Você ainda vai encontrar pessoas que queiram todo esse sentimento que tá ai dentro. Se machucar é normal, isso acontece com todo mundo, mas isso só ensina o quanto o mundo precisa de amor e de sentimentos bons. Quanto mais pessoas como você existirem, mais colorido o mundo será.
- Meu querido bloco de notas
Nota para a eu de amanhã
Querida eu,
Deixa de ser trouxa.