Trailer Psicológico III: Eu Amo Você, Mas Não Gosto Mais de Você
O homem emocionalmente confuso tinha desaparecido da minha cabeça por um tempo.
Não do meu coração.
Isso infelizmente ainda não aconteceu.
Mas da minha cabeça… sim.
E sinceramente?
Aquilo tinha sido um alívio.
Porque quando uma pessoa desaparece tantas vezes da sua vida, você acaba se acostumando com os sumiços. O cérebro aprende. O coração não, porque ele aparentemente é burro e gosta de sofrer, mas o cérebro aprende.
E eu já tinha colocado um ponto final em tudo.
Ou pelo menos achei que tinha.
Mas você sabe como é o ponto final em relacionamentos assim… às vezes ele vira ponto e vírgula. Às vezes ele simplesmente fica ali parado, esperando um “e se?” aparecer pra apagar ele da existência.
Mesmo eu sabendo.
E quando digo sabendo, quero dizer sabendo de verdade.
Eu sei que esse relacionamento nunca daria certo.
Não é insegurança.
Não é medo.
Não é “talvez”.
É certeza.
Eu conheço ele.
E conheço a mim mesma também.
Se nós tivéssemos um relacionamento de verdade, aquilo iria nos destruir. O comportamento dele é inaceitável. Os sumiços, as desculpas, as incertezas, o esconderijo constante… tudo desgasta.
Então justamente por isso eu não entendo.
Não entendo por que ainda sinto essa necessidade absurda de segurar ele dentro de mim mesmo sabendo que ele nunca realmente ficou.
Porque eu ainda me preocupo.
E isso talvez seja o que mais me irrita.
Eu me pego pensando:
Será que ele está bem?
Será que ele comeu?
Será que ele se machucou jogando futebol outra vez?
Será que ele está triste?
Será que aconteceu alguma coisa?
E ele sabe disso.
Meu Deus, como ele sabe.
Ele sabe exatamente o tipo de mulher que eu sou. Ele sabe que eu tenho um coração mole ridiculamente amável. Ele sabe que eu me preocupo. Ele sabe que basta aparecer dizendo:
“Me machuquei.”
“Estou no hospital.”
“Talvez eu tenha problemas.”
“Talvez eu vá preso.”
E pronto.
Mesmo chateada, meu coração começa a morrer de preocupação.
E o pior?
Isso virou um ciclo tão previsível que chega a ser ofensivo.
Ele some.
Eu tento seguir.
Ele reaparece das cinzas do inferno com alguma tragédia emocional cuidadosamente escolhida.
E eu volto a me preocupar.
Só que dessa vez teve uma diferença.
Quando ele falou que estava no hospital, eu não fiz o que sempre faço.
Eu não entrei em pânico.
Não fiquei perguntando mil coisas.
Não fiquei desesperada tentando cuidar dele emocionalmente.
Eu apenas desejei melhoras.
E isso talvez tenha sido a primeira vez em muito tempo que eu escolhi a mim mesma.
Porque eu finalmente percebi uma coisa muito dolorosa:
Eu amo ele.
Mas eu não gosto mais dele.
Existe diferença.
Você pode amar alguém profundamente e ainda assim não gostar mais da pessoa que ela se tornou na sua vida.
E isso desgasta.
Desgasta de uma maneira silenciosa.
Porque o amor continua.
Mas a admiração começa a morrer.
E mesmo assim…
mesmo depois de tudo…
eu continuo olhando os status dele.
Eu não quero que ele saiba que eu olho.
Mas ao mesmo tempo…
acho que quero.
Já escrevi mil respostas na minha cabeça.
Já xinguei.
Já chorei.
Já briguei mentalmente com ele umas cinquenta vezes.
E todas as vezes eu apaguei.
Porque sinceramente?
O tanto de texto que eu já escrevi reclamando dele ao longo desse um ano e meio… se juntasse tudo, dava pra publicar uma bíblia emocional em capa dura.
Então agora o silêncio virou minha última dignidade.
Mesmo que por dentro a guerra continue acontecendo todos os dias.
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