○ O seu amor sufoca, tira o ar. Tenta arrancar tudo o que há de trágico no desespero que é amar. Luiza Neves

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○ O seu amor sufoca, tira o ar. Tenta arrancar tudo o que há de trágico no desespero que é amar. Luiza Neves
● Desespero O desespero toma conta do mundo: Eu afundo Cada carência, Cada nova incerteza: Não me deixa Cada sonho, Cada mini proeza: Não me iludo O desespero toma conta do mundo: Eu mudo Luiza Neves
○ Dona Aranha Dona Aranha me enrolou em sua teia de mel, e me abençoou com sua atenção: Amável como abraço quente. Dona Aranha impediu de me afogar em fel, e deu seu olhar acolhedor. Sutil como sempre, chegou como quem quer estar, e estando, ao meu lado foi se aproximar. Mansa como fera adormecida. Dona Aranha me salvou de Babel, e me segurou com o seu amor. Não era traiçoeira como eu esperava, e meio enfeitiçada, dei-lhe tudo o que era meu. Luiza Neves
● Dança de um só Dancei como uma bailarina, rodopiando ao seu redor. Despretensiosamente toquei: sua mão, seu rosto, seu coração. Diariamente sonhei com nosso balé, em que você, com seu ar distraído, me tirava do chão. Depois acordei. Percebi que não havia dança, só eu, caída, sem ninguém para ajudar. Luiza Neves
○ Dos contos que te contam Eu sempre vivi da minha sorte, sem ninguém que me salvasse, sem amor, sem nenhum mártir. A vida sempre forma a nossa história, não tem pena ou piedade, não espera boa hora. Um sonho pode ser como um abismo, você apoia, mas desmaia, em uma parede de água. Luiza Neves
● Se hoje canto, amanhã me desencanto. Luiza Neves
○ Se hoje canto, amanhã me espanto. Luiza Neves
● Tsunami Está tudo tão tranquilo, e isso é de se estranhar. Como um tsunami, a onda vai, fica no silêncio, e volta a tudo derrubar. Luiza Neves
○ O mito da santidade Penso com a alma quase vazia, e me arrependo. Arrependo-me do que nem ao menos errei: premeditado. Olho para o meu eu e com raiva me repreendo. A pré-santidade não foi escolhida, foi colocada como um estorvo. Jogo meu manto e sigo para o castigo: pensamentos. O pior martírio definitivamente é o envergonhamento.
● O medo trai, assusta e adoece. Aperta a tristeza escondida no coração: medo de falhar. O medo se converte à incerteza, que julga e por dentro faz sangrar. O medo é inimigo do desconhecido: a única coisa que pode salvar, é rezar, na esperança de funcionar. Luiza Neves
○ Uma alegoria Há um caminho pelo qual se foge, e uma mão que arrasta. No caminho há árvores, uma longa estrada, e estrelas. De noite é escuro e frio, porém, aconchegante com o abraço da lua. Mas a mão está lá, escondida, esperando a distração do olhar. Sorrateiramente, agarra com força, e o caminho, enfraquecido, volta-se ao acabar. Porém, o caminho é mais forte: abre a mão e a deixa a lhe procurar. O caminho segue, e a mão, ainda inconformada, repousa caída no chão. Luiza Neves
● Acredito nas flores, nas pétalas e nos espinhos profundos. Vejo com clareza seus traços suaves e puros. Sempre tão distante: quando lhe agarro, eu me furo. Fico no desejo de um toque calmo e seguro. Luiza Neves
○ Quem me dera poder dizer o quanto sinto, sem me conter. Vou esconder que sinto muito, dizendo desculpas para você. Luiza Neves
● Pontos soltos O que é verdade e o que é mentira, jamais saberemos: Mil e uma explanações com tantos entendimentos. A mentira corrói, e só existe pelo que a mente visa. Real sobre as próprias intenções, cruel pelo que soube de antemão. A verdade só é fiel ao que se prega. Mente sobre as próprias intenções, espalha o que soube de antemão. Luiza Neves
○ Curvatura O problema disso tudo está fora de minha compreensão. Talvez nem sequer exista, e seja fruto da imaginação. Se antes estava em desespero, agora sinto sossego. Paz estranhamente desordeira. Não precisa de muito, só o constatar do ver. Depois, é só se deixar viver. Luiza Neves
● Nada. Nada. Nada. Nada. O ancorar me faz acordar em um mundo muito confuso. Luiza Neves
○ Não sou do tipo que você se apega. Sou como o vento, que vai, vai, e ninguém tenta segurar. Sou como uma de tantas pedras por aí, sem brilho ou lapidação, sem nenhum encanto ou distinção. Sou como um devaneio interrompido, que após alguns minutos de distração é esquecido. Sou somente um eco do que todos desejaram para eu ser, e como repetição fraca, pereço. Não, não sou do tipo que você se apega. Luiza Neves