Te amar como a chuva do sábado ensolarado
Existe um calor que sobe pelos asfaltos da grande cidade, e faz os corpos suarem por horas. Os casais brigam, as crianças gritam e alguns corpos cheios de almas vazias ficam aflitos para o dia acabar. O relógio se arrasta pelos caminhos do inferno na selva de concreto. Há uma nuvem de poeira quente, que abraça, calorosamente, todos os prédios e faz com que o oxigênio seja a coisa mais rara que já existiu por séculos neste lugar, entre nós, entre todos os humanos. Quando os raios de sol cruzam a atmosfera e penetram na minha pele, em um sábado qualquer, sento-me no assoalho da varanda daqui de casa e espero pela chuva de verão. Eu sempre espero por ela. Quando as primeiras gotas resolvem despencar em direção ao chão, sinto-me o último sobrevivente da terra. Esperando pela salvação. Respirando pela primeira e última vez no mesmo segundo. E é aí que eu lembro o quão poderoso o seu amor é, que assim como a chuva, proporcionando-me tudo aquilo que eu preciso, o seu amor me entrega tudo aquilo que abraça a minha alma. Eu poderia tocar no fundo do seu peito e sentir todo o calor que existe no universo, eu poderia ficar de baixo das suas lágrimas e me banhar nas mais belas chuvas de verão que caem dos seus olhos. Meu amor, o mundo pode ter te machucado forte o bastante, mas acredite em mim, quando eu digo que a sua essência permaneceu.
Hoje é sábado
Sento-me na minha varanda
Vejo a chuva cair
Te sinto…











