A lua estava cheia e alta no céu, fazendo de minha pele ainda mais clara.Já era bem tarde da noite quando me juntei aos muitos corpos que caminhavam pelo local badalado, afinal a cidade era grande e agitada. Sorri ao andar pelas ruas cheias, mas escuras. As vozes ecoavam animadas ou bêbadas, a maioria vinda de uma única casa no fim da rua. Quantos dali não seriam facilmente derrubados? Sorri com a ideia.
Eu estava atento, latejando, tentando não causar um tumulto por ceder ao nosso mais forte instinto. Todos que passavam por mim tinham aquele cheiro apimentado e doce. O cheiro puro da luxúria e do prazer, que me atraiam como um imã. Não podia ter sido mandado para lugar melhor. E tive mais certeza ainda quando avistei a garota loira dos olhos azuis brilhantes.
Ela estava encostada em um carro parado junto ao meio-fio. Seus olhos pareciam perdidos em meio às várias pessoas que se dirigiam àquela casa atrás dela. Seu vestido era bem curto para uma jovem com pouco menos de quinze anos. Sempre acreditou ser mais velha, porém. Humpf... tão tola. Quase chegava a ferir meu orgulho e nome, ainda que ali ninguém saberia me identificar com precisão. Era somente mais um no meio de tantos.
Assim que ela me avistou, os olhos brilharam e um sorriso intenso se abriu na boca marcada por batom. Ela se ajeitou enquanto esperava eu me aproximar, queria parecer menos desesperada. Sorri mais uma vez, para ela porém, provocando uma reação interessante: os dentes mordendo o lábio inferior. Imaginei beijá-los. Bom, não demoraria muito para fazê-lo de qualquer forma.
– Você está atrasado – Liza resmungou quando a peguei em meus braços e depositei um beijo curto em seu pescoço.
Guardaria os lábios para uma outra ocasião, no momento a deixaria ansiosa.
– Alguém mais importante?
– Se você relaxar, talvez – ela tomou aquilo como uma provocação, exatamente como eu queria, e se inclinou para me beijar.
Um selinho, um tanto quanto inocente. Ela fez um biquinho que eu achava charmoso, ainda mais vinda de uma jovem arrogante como ela, e me pegou pela mão.
– Não quero demorar mais. A festa parece estar ótima. – ela disse começando a me arrastar para dentro da casa.
– Hum. Imagino. – retruquei.
Não queria estar ali. Apesar de poder fazer meu lanchinho da meia noite em algum momento, bem no pescoço branco de Liza, eu estava ali a negócios. Não exatamente dos mais honestos. Observaria pessoas, falaria com outras e procuraria bancar o gentil namorado da loira. Suspirei e fui encarado por ela que distraí apontando para o caminho que seguíamos.