Posso dizer que já tive um coração, mas não sei o que aconteceu com ele. Não me lembro em qual momento da minha linha do tempo eu me tornei esse ser humano que não dá a mínima para os sentimentos alheios. No fundo, bem lá dentro do meu ser, eu sei que já me importei com todas essas coisas clichês. Um sorriso, um gesto simples, um abraço apertado ou até um papel com uma frase qualquer era capaz de me conquistar. Tenho lembranças de momentos em que chorava durante a noite por querer alguém. Me recordo de momentos em que a saudade me esmagava o peito. Mas não me pergunte quando me tornei essa pessoa oca, que finge ter certos sentimentos para não parecer tão fria e que demonstra um sorriso só por educação, porque eu não sei. Mas eu já pertenci a alguém e conheci o que é o amor. As vezes sinto falta de mim, de como meu coração saia pela boca, da tremedeira ao ir de encontro com alguém, do arrepio da pele só de imaginar certo momento. Meu espírito sente falta de pertencer a algum lugar, de partilhar meu mundo com outros e de dividir meu universo com alguém. Não importa quantos estejam a minha volta, mais distante me sinto do presente e tudo parece vazio. O amor? eu já não o conheço e nem sei se devo procura-lo, mas tenho certeza que ele já habitou em mim.