Sua intenção era me bagunçar? Era bagunçar tudo o que levei tanto tempo tentando arrumar? Olha pra todo esse tempo que sumiu, acha que também não passou pra mim? Claro que passou, organizei tudo como estava, cada sentimento no seu devido lugar. E aí você aparece, sem pedir licença, como se fosse simples abrir o que já estava fechado, você fala, e depois some. E quem fica com o eco das palavras sou eu. Quem precisa recolher os restos, sou eu. Não é justo. Nunca foi. Eu não sei se queria que você ficasse, só sei que sua ausência de novo pesa mais do que sua presença breve, parece que você veio só pra me lembrar do que eu tinha esquecido sentir. São tantas dúvidas… porque eu também não sei o motivo de você ter me mandado aquela mensagem, era pra manter uma conversa? Ou só pra eu saber que você ainda está por aí, de alguma forma me vendo? Não sei o que é pior: a ausência completa ou essa presença mínima que me deixa em suspensão. Você não fica, não explica, só lança uma fagulha e me deixa com o incêndio. Talvez eu nunca tenha resposta, e talvez nem precise, porque a ausência agora já é a resposta. É estranho porque eu já tinha me acostumado com o silêncio. Já tinha colocado cada lembrança no seu canto,não era felicidade plena, mas era paz. E aí você chega, toca a campainha e some, como se nada tivesse acontecido. Quem faz isso? Fico me perguntando se você pensou em mim antes de escrever, se ensaiou as palavras ou se foi só impulso. E se foi impulso, por que logo comigo? Talvez eu esteja dando importância demais. Talvez, pra você, tenha sido só uma mensagem qualquer, dessas que se mandam sem pensar. E agora estou aqui, me perguntando se sinto falta de você ou apenas da sensação de não me sentir sozinha quando você estava. Você me bagunçou de novo, e o pior é que eu não sei se queria isso ou não. Parte de mim sente saudade, e no meio disso tudo fico eu, tentando juntar os cacos de mais uma ausência sua.
Desabafos da sua ausência.













