O Pesadelo
Ontem, em um mundo onírico, eu perdi você. A morte, implacável e cruel, roubou-te de meus braços. O sonho, tão vívido que parecia realidade, me envolveu em sua teia de desespero. Eu senti cada fragmento da minha alma se despedaçar, como se o próprio universo estivesse desmoronando.
Lembro-me dos presentes que você me deu. Cada gesto, cada sorriso, gravados em minha mente como estrelas no céu noturno. Você, com olhos cheios de expectativa, aguardando minha reação. E eu, tola e apaixonada, amando cada detalhe seu. Como poderia não gostar de tudo o que você fazia? Era como se o mundo ganhasse cores mais vibrantes quando você estava por perto.
Nossos lugares favoritos também visitaram meu sonho. A sorveteria, onde você sempre pedia aquele milkshake de menta, mesmo sabendo que eu o achava horrível. Desde o nosso primeiro encontro, essa peculiaridade era parte de você, e eu a amava por isso. E a cama, onde nos aconchegávamos para assistir filmes. Você, adormecendo na metade deles, enquanto eu ria da sua teimosia em insistir que estava acordado.
Mas o pesadelo não parou por aí. Meu coração se partiu em mil pedaços. A dor no peito era insuportável, e minhas lágrimas inundavam o mundo. Dias e meses se passaram naquele pesadelo, e eu revivia cada momento, cada risada, cada toque. As lembranças ganharam um peso insuportável, como se fossem feitas de chumbo e esmagassem meu peito a cada respiração. Até que, em um ato desesperado, eu me entreguei à escuridão. O suicídio parecia a única saída, pois como poderia existir um mundo sem você?
E então, o despertar. Você estava ali, deitado ao meu lado, respirando suavemente. O alívio foi avassalador. Eu o abracei como se minha vida dependesse disso, e chorei como uma criança. Ainda bem que você dormia, pois sou ridícula quando choro.
Há um tempo, a vida real também nos lançou um pesadelo. O câncer, implacável como a morte em meus sonhos, ameaçou nos separar. Lembro-me das visitas ao hospital, das lágrimas que você derramava, da incerteza que pairava no ar. Você me pediu para seguir em frente caso algo acontecesse. Mas como? Como seguir em frente quando você é o meu norte, a razão pela qual meu coração bate?
A ideia de seguir em frente sem você é um fardo insuportável, uma cruz que eu não teria forças para carregar. A vida sem a sua presença seria apenas um vazio sem sentido, um deserto árido de emoções e significados.
O câncer, esse monstro que nos assombrou, agora é uma lembrança distante. Você venceu a batalha, e eu, grata por cada segundo ao seu lado, prometo que, enquanto houver fôlego em meus pulmões, enquanto bater o meu coração, eu estarei ao seu lado, lutando, cuidando, amando. Mesmo nos pesadelos mais sombrios, continuarei a amar você, a lutar por nós, até o último suspiro. Porque a ideia de te perder é como perder a própria alma, é como perder a própria vida. E eu não posso nem quero viver esse pesadelo na vida real. Então, eu desejo do fundo do meu ser que você seja imortal, invencível, intocável.
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