Isabel Diniz
Por que eu votarei para a reeleição da Presidente Dilma Rousseff?
Esclareço que meu voto não é apenas estratégico, ou seja, não estou votando em Dilma porque a considero a "menos pior". Meu voto não é um veto a Aécio Neves. Meu voto é ideológico.
Votarei em Dilma porque corroboro seu plano de governo e porque, apesar de inúmeras críticas que tenho à condução de seu 1º mandato - sobretudo, em relação a uma dificuldade de diálogo com os movimentos sociais -, é a plataforma política que me contempla, no momento, seja por sua viabilidade político-econômica seja porque entendo que cabe a mim, como militante, tensionar as bases para que caminhemos cada vez mais "para a esquerda" naquilo que não me sinto contemplada.
Votarei em Dilma porque meu voto tem como diretriz primeva a redução da acintosa desigualdade social que sempre caracterizou a história brasileira. Nos 12 anos de governo PT, eu acompanhei pela primeira vez na história, desde os princípios da medição, ainda na década de 60, a redução do índice Gini em relação ao Brasil. Eu constatei a melhora significativa no padrão de consumo dos trabalhadores, o que foi possível graças a uma política de valorização do salário mínimo e de oferta de micro-crédito, como bem explica André Singer em sua obra "Os Sentidos do Lulismo".
Eu estou vendo as universidades públicas se pintarem de todas as cores e abrirem suas portas aos egressos de escolas públicas graças ao sistema de cotas. Também vi a abertura de camping de Federais em lugares que nunca puderam sequer sonhar com tal realidade (ainda que seja necessário lutar por uma infra-estrutura mais completa). Aliás, é muita falta de informação afirmar que o PT não investiu em educação. Foram abertas 18 Universidades Federais, 422 escolas técnicas, 173 extensões universitárias. Além do Pronatec, que alcança 8 milhões de pessoas, ProUni, Ciência sem Fronteiras...
Eu estou vendo o atendimento médico chegar a municípios que nunca puderam contar com tal "privilégio", seja pelas mãos de brasileiros que se comprometeram com a saúde familiar, seja pelas mãos de cubanos, cuja medicina preventiva salva vidas ao redor do mundo e agora também nos rincões do Brasil. Eu constato a oferta de medicamentos pelo "Farmácia Popular" e de tratamento médico-referência para o câncer e para a Aids no SUS. Eu vi o programa Bolsa Família ser premiado com o prêmio da ISSA (Associação Internacional de Seguridade Social), apelidado de "Nobel social" e concedido por esta instituição que é reconhecida por 157 países e mais de 330 organizações não governamentais. Vi e me emocionei com a declaração da ONU de que o Brasil, enfim, saiu do mapa da fome mundial.
Votarei em Dilma porque quero que cada vez mais pessoas possam viajar de avião, comprar TV de LED e celular "dahora". Votarei em Dilma porque quero que as pessoas possam escolher o que fazer com seu benefício assistencial, se querem comprar um saco de arroz ou se vão se permitir experimentar o gosto de um chocolate. Quero que as pessoas tenham escolhas! E não dependam das "escolhas caridosas" de ninguém!
Votarei em Dilma porque quero que cada vez haja menos "domésticas" e que aquelas que escolherem exercer tal profissão o façam com toda a proteção e todo amparo das leis trabalhistas, e não como "mucamas modernas". Votarei em Dilma porque luto pela legalização do aborto e pela manutenção da possibilidade jurídica de que as famílias sejam formadas por laços de afetos, e não por condicionantes biológicas homem-mulher. Votarei em Dilma porque sei do seu compromisso pela manutenção da menoridade penal da forma como constitucionalmente prevista.
Voto em Dilma porque tenho verdadeiro asco desse discurso seletivo e odioso de "corrupção", que brota da boca de gente ressentida, pouco afeta à investigação e à verdade dos fatos e que quase nunca se lembra que, se existem corruptos é porque na outra via, existem corruptores! E porque sei que apenas com uma reforma política poderemos combater essa realidade.
Votarei em Dilma porque quero cada vez mais que o Brasil se aproxime, se relacione e negocie com países da América Latina, reafirmando nosso passado de exploração comum e nossas esperanças de uma alternativa ao sistema capitalista financeiro-globalizado que passa pela alteridade e pela solidariedade! Votarei em Dilma porque quero que nossa política externa continue a se pautar pelo protagonismo e pelo respeito aos direitos humanos, prestando auxílio às nações africanas e propondo o diálogo (sim!) como forma de combate ao terrorismo, porque é da política de guerra e de "terra arrasada" que nascem e se fortalecem os movimentos extremistas, tudo em conformidade com o art. 4º da nossa Constituição Federal.
Votarei em Dilma porque fico indignada com a má-fé difundida por muitos, que fazem cobranças à Presidente, que vão muito além de sua área de atuação. Sei que já saímos do Absolutismo, e que nosso país é uma Federação, com competências dividas entre União, Estados e Municípios, e, portanto, algumas cobranças têm que ser feitas aos Governadores e aos Prefeitos. Sei também que existe a separação de poderes, entre Executivo, Legislativo e Judiciário. Por essa razão, não adianta criticar o governo federal por reformas, se eu desperdicei os meus votos para senadores, deputados federais, estaduais e vereadores.
Votarei em Dilma porque não aceito retroceder um passo sequer em todas as vertentes acima relatas, porque a dignidade de todos brasileiros, sem exceção, é a diretriz orientadora da minha atuação política e eu acredito que só há sentido em "crescer" quando se cresce já dividindo... e não sacrificando gerações em nome de um futuro promissor que parece nunca chegar...
Por isso, e por mais razões das que cabem neste texto, dia 26 de Outubro, votarei 13. Não tenho a arrogância de convencer ninguém, porém esse é meu voto, pesquisei e me informei para isso. O debate civilizado e respeitoso é sempre bem vindo. Seja qual for seu voto, tenha razões. Pesquise sobre elas, ao invés de sucumbir a boatos e frases feitas. Pense o país como um todo. Não anule a sua cidadania.
Bom voto a todos Isabel Diniz, 27 anos, advogada.











