Eu queria poder contar toda a minha história e saber que alguém vai ouvir e vai se interessar por cada palavra que sai da minha boca. Me dizem que sou dramática e pensando bem, talvez, lá no fundo eu seja mesmo e acredite eu tive a quem puxar. Mas eu queria poder contar sem querer desabar (mesmo lembrando de machucados já cicatrizados) que eu já fui muito quebrada em vários pedacinhos. Senti da dor física e emocional e talvez só quem tenha sentido na pele, de fato, consiga entender. Ou talvez você perceba nas entrelinhas e consiga interpretar. Cheguei ao ponto de me perder de mim mesma e esse é o além do fundo do poço que um ser humano pode chegar, mas quando digo que me perdi de mim mesma, eu não digo como forma de figura de linguagem. Não sabia quem eu era, meus gostos, meus sonhos e não estava mais interessada em saber. Afinal, eu não tinha sonhos e nem mais gostos. Eu só via a vida passar, dia após dia e não se engane: Ainda faço isso, mas de uma forma mais sutil. Como eu estava dizendo, eu havia me anulado completamente não só por um alguém, mas em mim mesma.
Sabe, foi difícil chegar até aqui, onde eu estou. Foi um processo que me levaram anos para tentar me redescobrir, escolhas, sonhos, gostos e também para me reerguer. Não sei para onde ir ainda, tem dias que me sinto exausta e me dói até os ossos e não é modo de falar e penso em desistir. Desistir de toda caminhada, de algum progresso que eu, talvez, tenha feito para sair de toda a escuridão.
Mas, por outro lado, penso que seria o caminho mais fácil, a escolha mais simples a se fazer e penso em tentar mais uma vez. Eu não sei se um dia vou abandonar o barco e realmente desistir de tudo, porém, por enquanto eu ainda estou aqui, vivendo ou sobrevivendo, dia após dia tentando evoluir de alguma forma.