Yan!Batfamily! X Neglected Fem!Lesbian!OC - Capítulo 17
O amanhecer em Themyscira veio acompanhado pelo som do mar, do vento atravessando as colunas de pedra e… de alguém batendo palmas no meio do dormitório.
— Hora de acordar, meninas.
Donna caminhava entre as camas com um sorriso paciente demais para aquele horário.
— O sol já nasceu faz um tempinho e as amazonas estão treinando há horas.
O resultado foi imediato.
Um travesseiro voou na direção dela.
Donna desviou sem dificuldade.
— Bela jogada — comentou calmamente.
Uma voz extremamente hostil surgiu enterrada na cama de Zatanna.
Zatanna nem abriu os olhos.
— Ah. Ela acordou no modo assassina hoje.
— Hoje? — Dinah perguntou enquanto sentava na própria cama. — Então isso piora?
Reina levantou o rosto lentamente do travesseiro.
O cabelo escuro completamente bagunçado caía sobre os olhos claros ainda semicerrados de sono. Mesmo acabada daquele jeito, havia alguma coisa perigosamente bonita nela.
A expressão vazia. O olhar de alguém que claramente considerava homicídio uma solução válida antes das oito da manhã.
— Se alguém encostar em mim antes do café da manhã eu vou transformar essa ilha num caso diplomático.
— Você parece uma criança que dormiu pouco e acordou cedo.
— E você parece alguém que vai cair de um penhasco misteriosamente.
Donna cruzou os braços, ainda tranquila.
— Reina, as amazonas já estão treinando.
— Isso não é disciplina. É distúrbio psicológico coletivo.
Stephanie soltou uma risada curta enquanto calçava os sapatos.
— Finalmente algo em que concordamos.
Beatriz apareceu praticamente pulando da cama.
— Eu quero ver treino de amazona! Espada, escudo, lança, combate lendário… isso parece incrível.
Reina virou lentamente a cabeça pra ela.
— Você está feliz cedo demais. Isso é suspeito.
— E você ameaça pessoas cedo demais. Isso também é suspeito.
— Continue falando e vou quebrar suas pernas antes de te jogar no mar pra estudar a fauna local.
Tora soltou um pequeno suspiro cansado.
— Bia, talvez não provoque ela antes do café.
Cassandra observava Reina em silêncio do outro lado do dormitório, sem medo só... analisando. O que irritava Reina mais do que deveria.
Kara saiu do banheiro prendendo o cabelo num rabo de cavalo alto.
— Honestamente? Você fica engraçada de manhã.
Reina olhou pra ela com absoluta seriedade.
— Kara, meu anjo exuberante. Eu pisaria em você agora sem culpa nenhuma.
— Viu? Engraçada, mas se continuar assim vou acabar me apaixonando então pode parar.
Reina encarou ela por dois segundos inteiros.
Então simplesmente afundou o rosto de volta no travesseiro.
— Eu odeio kryptonianas gostosas.
— Isso parece pessoal e vou ignorar a última parte.
Zatanna finalmente abriu os olhos.
— Você dormiu agarrada em mim igual um gato possessivo. Não tem direito de odiar ninguém hoje.
— Estava assegurando território.
Donna suspirou divertida.
— Dez minutos. Depois disso, Diana vai vir pessoalmente buscar vocês.
Reina levantou o rosto de novo.
— Foi um aviso carinhoso.
Pouco tempo depois, o grupo atravessava os corredores abertos de Themyscira.
A luz dourada da manhã atravessava os templos e as colunas enormes da ilha, refletindo nas construções de mármore branco e bronze. As cachoeiras desciam das montanhas cercadas por vegetação intensa, alimentando rios cristalinos que atravessavam partes da cidade por canais de pedra. Pontes arqueadas ligavam diferentes áreas da ilha enquanto estátuas gigantescas observavam tudo do alto.
Amazonas treinavam nas praças abertas enquanto outras carregavam cestos, afiavam armas ou organizavam pergaminhos em bibliotecas abertas.
O som constante de espadas se chocando ecoava junto da água correndo pelas encostas da ilha.
Reina caminhava atrás do grupo usando uma camisa roxa larga de tecido leve, parcialmente aberta no pescoço. A roupa contrastava com a postura fechada dela e com o olhar atento que parecia analisar cada detalhe da ilha como se esperasse uma ameaça surgir a qualquer momento.
O cabelo escuro ainda estava levemente bagunçado do sono, caindo sobre os olhos claros enquanto ela observava tudo em silêncio.
Courtney praticamente girava enquanto caminhava.
— Isso continua parecendo cenário de filme épico.
— Porque é um lugar construído com séculos de história — Diana respondeu enquanto guiava o grupo. — Cada templo, praça e arena daqui carrega memórias das amazonas que vieram antes de nós.
Stephanie olhou para um grupo treinando com lanças.
— Ok… isso é absurdamente intimidador.
Kate analisava os movimentos com atenção militar.
— Formação impecável. Nenhuma delas desperdiça movimento.
— Eficiência é sobrevivência — Diana respondeu calmamente.
Reina caminhava atrás do grupo ainda claramente mal-humorada.
Até uma amazona passar por ela carregando uma bandeja de frutas.
A mulher desacelerou imediatamente ao olhar pra Reina.
Alta, musculatura elegante e com abelos escuros presos em tranças longas.
Ela ofereceu uma fruta vermelha para Reina com um pequeno sorriso.
— Você parece precisar mais disso do que as outras.
Claramente pega desprevenida.
— … eu sobreviveria sem isso.
— Mas sobreviver não é a mesma coisa que cuidar de si mesma.
A amazona colocou a fruta na mão dela mesmo assim antes de continuar andando.
O grupo inteiro ficou em silêncio por dois segundos.
Zatanna foi a primeira a sorrir.
Reina olhou lentamente pra fruta.
— Ela literalmente pegou isso com a mão. Sem luvas. Sem utensílio. Querem genuinamente que eu coma? Que falta de higiene.
Dinah arqueou uma sobrancelha.
— Você já não arrancou corações ou qualquer outra coisa desses tais "espíritos amaldiçoados"? Por que esse seria o problema?
— O sangue deles evapora após a eliminação completa, não tem problema.
— A Reina tem um pequeno problema com limpeza.
— Pequeno? — Kate repetiu.
— Ela vive usando o infinito não só por sua própria proteção, mas porque é uma garantia de que nenhuma sujeira possa tocá-la.
O café da manhã acontecia numa enorme área aberta próxima aos jardins centrais.
Mesas longas de madeira estavam organizadas sob pilares enormes cercados por oliveiras e flores coloridas.
Havia frutas, pães, mel, carnes, queijos e recipientes de barro cheios de bebidas e grãos.
Courtney parecia encantada.
— Isso é muito melhor do que café da manhã de torre.
— Concordo — Dinah respondeu pegando um pão. — E ninguém aqui colocou proteína em pó em tudo.
Stephanie sentou imediatamente.
Cassandra permaneceu em silêncio observando as amazonas ao redor. Muitas riam alto, conversavam e pareciam leves.
Donna percebeu o olhar dela.
— Diferente do que imaginava?
Cassandra assentiu devagar.
— Themyscira foi construída pra ninguém se sentir sozinha.
Enquanto isso, Reina observava desconfiada o próprio prato. Então a mesma amazona apareceu de novo e colocou mais frutas na frente dela.
— Você ainda parece cansada.
Reina olhou lentamente pra pilha extra de frutas.
— Você está insistindo muito na minha alimentação.
— Talvez eu esteja preocupada.
A amazona apoiou o braço na mesa.
— Ainda posso me preocupar enquanto acho você bonita.
Stephanie arregalou os olhos.
Kara apertou a taça com força sem perceber.
Reina claramente travou por meio segundo.Só meio.
— … isso foi muito direto.
Zatanna apoiou o rosto na mão completamente entretida.
— Eu nunca achei que viveria pra ver alguém flertando com a Reina antes dela começar.
— Talvez ela só esteja sendo educada.
A amazona olhou diretamente pra Kara.
Stephanie estava boquiaberta.
— Meu Deus, ela foi direta MESMO.
Beatriz já sorria igual uma criança vendo fofoca ao vivo.
— Reina, você tá vermelha.
— Mais uma palavra e eu vou te afogar até suas chamas apagarem.
Diana observava tudo à distância.
E, pela primeira vez naquela manhã, riu baixo.
O treinamento começou logo depois.
A arena principal de Themyscira era cercada por colunas gigantescas e plataformas elevadas onde amazonas observavam os exercícios.
Espadas, lanças, escudos, arcos e muito mais.
Metal brilhava sob o sol da manhã enquanto o som de impacto ecoava constantemente.
Diana caminhou até o centro da arena.
— Amazonas não lutam apenas com força.
Ela ergueu um escudo redondo.
— Lutamos para proteger umas às outras. Cada movimento existe por um motivo.
Donna pegou uma espada curta.
— Antes de atacar, vocês precisam aprender postura, equilíbrio e leitura de movimento.
Stephanie já parecia cansada.
— Então a gente ainda nem começou a parte divertida?
— Isso já é a parte divertida — Kendra respondeu segurando uma lança.
As amazonas começaram distribuindo armas de treino.
Kara girou um bastão nas mãos com naturalidade.
Kate analisava o peso das espadas antes de escolher uma.
Courtney segurava um escudo quase maior que ela.
— Isso pesa muito mais do que parece nos filmes.
— Porque nos filmes normalmente não tentam quebrar sua costela com ele — Dinah respondeu.
Enquanto isso, Cassandra copiava silenciosamente cada movimento das amazonas.
Postura, respiração e passos.
Uma amazona mais velha observou ela por alguns segundos antes de entregar outra espada de treino em silêncio.
Cassandra entendeu imediatamente.
Ela bloqueou o primeiro golpe quase sem olhar.
A amazona sorriu satisfeita.
Pela primeira vez desde que chegaram na ilha, Cassandra pareceu minimamente confortável.
Os primeiros exercícios eram simples.
Passos, defesa, posição do escudo e controle do centro do corpo.
Mesmo assim Stephanie quase caiu girando a espada.
Courtney acertou o próprio escudo.
Beatriz reclamava dramaticamente do peso.
— Como vocês lutam lindas desse jeito carregando isso tudo?
Uma amazona respondeu naturalmente:
— Porque crescemos treinando desde o momento em que conseguimos ficar de pé.
— Ah. Isso explica bastante coisa.
Kendra já estava claramente se divertindo.
Até Donna bloquear a espada dela com calma.
— Você depende muito da força.
— Contra alguém menos experiente, sim.
Donna desarmou ela num movimento limpo.
Dinah soltou uma risada curta.
Enquanto isso, Reina permanecia encostada numa coluna observando tudo.
— Você vai mesmo ficar aí o treino inteiro?
— Estou analisando antes de decidir me mover.
— Você só está dando desculpas.
— Não confio em treinamento coletivo. Sem falar que se eu não analisar alguém pode morrer e não serei eu.
— Então continue observando — respondeu calmamente. — Toda guerreira aprende de maneira diferente.
Aquilo pegou Reina desprevenida por um instante.
Porque Diana não tentou forçar ela.
As amazonas começaram formações em dupla.
Escudo protegendo parceira. Movimento sincronizado. Troca constante de posição.
Kara lutava contra duas amazonas usando bastões de treino.
Ela claramente estava gostando daquilo.
Até errar o tempo de uma esquiva.
Uma amazona acertou o ombro dela com o bastão.
Reina suspirou profundamente.
— Seu centro de gravidade sobe toda vez que você tenta acelerar.
Todo mundo olhou pra ela.
Zatanna sorriu imediatamente.
Reina saiu lentamente da coluna.
Pegando apenas uma kopis de treino.
O olhar vazio desapareceu.
E alguma coisa na postura dela simplesmente encaixou.
Kendra percebeu primeiro.
Dinah arqueou uma sobrancelha.
— Então esse é o modo sério dela?
— Infelizmente não, nunca tive a chance de ver ela lutando de forma séria. Ela só está muito confiante e segura a ponto de provocar, pelo menos dessa vez ela não vai de mãos vazias.
Reina girou a kopis devagar nas mãos. Testando peso, equilíbrio e curvatura, então apontou a lâmina pra Kara.
— Pode vir, meu anjo. Tenta me acertar dessa vez.
Reina desviou no último segundo girando o corpo sem esforço. O bastão passou perto demais. A kopis travou a próxima sequência de golpes com precisão absurda.
— Você avisa cada ataque com os ombros — Reina comentou enquanto desviava de novo. — É quase educado da sua parte.
Kara estreitou os olhos e acelerou.
Um sorriso pequeno. Provocador. Irritantemente confiante.
Ela começou a andar ao redor da Kara durante a luta.
Relaxada, como se estivesse brincando.
— Melhorou. Mas ainda tá pensando igual alguém que resolve tudo atravessando parede.
Kara atacou mais forte. Reina girou a kopis prendendo o bastão por baixo, puxou o equilíbrio da Kara e a obrigou a recuar dois passos.
As amazonas começaram a parar pra observar.
Porque Reina lutava estranho.
Tudo nela parecia calculado.
Ela economizava energia em cada movimento enquanto obrigava Kara a gastar cada vez mais.
— Tá irritada? — Reina perguntou sorrindo. — Seu pé direito fica pesado quando você fica irritada.
Kara avançou outra vez tentando pegar ela desprevenida. Reina simplesmente inclinou o corpo pro lado deixando o bastão passar perto do rosto. Depois bateu com o cabo da kopis atrás do joelho da Kara, ela perdeu equilíbrio por um segundo.
Reina girou atrás dela e encostou a lâmina no pescoço da kryptoniana.
Courtney arregalou os olhos.
Reina deu dois passos pra trás.
— Técnica básica. Ela depende demais da força física.
Kara respirava mais rápido.Mas sorria.
— Nossa, você realmente gosta de apanhar. É bom saber seus gostos para o futuro.
Mais rápida. Mais agressiva.
E Reina começou a rir baixo durante o combate.
Finalmente se divertindo de verdade.
Mais tarde, depois de horas de treino, várias amazonas levaram o grupo até os rios cristalinos próximos das cachoeiras. O lugar parecia saído de um sonho.
Água transparente refletindo o céu dourado do fim de tarde. Pedras claras aquecidas pelo sol. Vegetação enorme cercando tudo.
As cachoeiras desciam das montanhas formando lagos naturais largos entre as rochas.
Amazonas mergulhavam das pedras mais altas. Outras nadavam. Algumas apenas descansavam na água conversando.
O clima era completamente diferente da arena.Mais leve. Mais livre.
E Kara claramente amava aquilo.
Ela praticamente entrou na água antes de todo mundo.
Mergulhando sem hesitação.
Quando voltou à superfície, o cabelo loiro grudava parcialmente no rosto enquanto ela ria.
— Eu tinha esquecido o quanto isso aqui é bom.
Como alguém finalmente relaxando.
Stephanie tentou pular de uma pedra. Escorregou no meio do caminho. E caiu na água gritando.
Dinah começou a rir imediatamente.
Enquanto isso, Reina permanecia perto da margem parcialmente escondida entre plantas altas e pedras úmidas aquecidas pelo sol. Os cabelos escuros caíam bagunçados sobre os olhos claros enquanto ela observava a água com desconfiança visível demais.
Agachada daquele jeito, escondida entre a vegetação, parecia mais um animal arisco observando antes de decidir fugir ou atacar alguém.
Ela nadou até perto da margem.
— Prefiro não morrer afogada hoje.
— Só porque sei não significa que eu goste.
Zatanna se aproximou calmamente.
— Não pressiona muito ela, Kara. A Rei não é muito boa com água por causa de algumas coisas da infância… e ela também odeia ficar “vulnerável” perto de outras pessoas.
Kara olhou pra Reina por alguns segundos.
Depois voltou pra Zatanna.
— Ela realmente confia em você, né?
O sorriso de Zatanna ficou pequeno. Quase carinhoso.
Kara observou Reina outra vez.
Depois sorriu de canto, um sorriso um pouco envergonhado por agora estar vendo Reina com outros olhos.
— Entendi. Vou pegar leve… talvez.
Ela voltou lentamente pra margem.
— Você tava diferente no treino.
Reina ergueu uma sobrancelha.
— Mais leve. Igual ontem depois da luta.
A resposta saiu rápida demais. Honesta demais.
Reina desviou o olhar imediatamente.
— Você deve estar com insolação. Estou igual a como sempre fui.
Então segurou a mão dela.
Reina caiu direto na água.
Kara começou a rir imediatamente.
— Sua cara foi impagável.
Reina emergiu lentamente.
O cabelo molhado agora grudava parcialmente no rosto, nos ombros e no pescoço dela, revelando muito mais expressão do que normalmente deixava aparecer.
A roupa encharcada colava no corpo enquanto ela encarava Kara com uma expressão perigosamente vazia.
— Você acabou de cometer um erro grave.
— É mesmo? E o que você vai fazer?
Reina avançou imediatamente tentando pegar a Kara.
Kara segurou Reina pelos braços antes que as duas afundassem.
O problema era que Reina claramente entrou em pânico no segundo em que perdeu apoio.
Ela grudou na Kara sem perceber.
Pernas tentando desesperadamente encontrar equilíbrio.
As duas afundaram juntas.
Kara saiu da água rindo sem ar.
— Você tá tentando me matar ou sobreviver?
— Qualquer coisa que me mantenha com a cabeça fora d'água.
Reina voltou a se agarrar nela quando escorregou outra vez.
O rosto perigosamente próximo de um lugar importante.
Kara travou por meio segundo inteiro.
Porque Reina estava completamente colada nela molhada, perigosamente sexy e claramente tentando fingir que não estava nervosa.
— Para de rir — Reina resmungou baixo.
— Como eu não vou rir? Olha a situação que você se encontra, eu estaria rindo mais se eu não tivesse sendo afogada tantas vezes.
Reina afundou ela de novo na água por vingança.
As duas emergiram tossindo e rindo ao mesmo tempo.
Zatanna observava tudo da margem com um sorriso pequeno.
A mesma amazona do café passou perto dela carregando toalhas.
Ela olhou para Reina na água.
— Sua amiga sorri bonito quando esquece de tentar parecer perigosa.
Zatanna acompanhou o olhar.